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Lideranças do Estado enfrentam desgaste por proximidade com Temer e Aécio


18/05/2017 às 16:56
A divulgação das denúncias envolvendo o presidente Michel Temer (PMDB) e o senador e presidente nacional do PSDB Aécio Neves em um esquema de corrupção com a JBS, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, pode trazer prejuízos às imagens de lideranças políticas capixabas, principalmente entre os parlamentares do PMDB e do PSDB. Neste sentido, lideranças que buscavam fortalecimento político para 2018, agora tentam descolar da imagem deles.
 
O senador Ricardo Ferraço (PSDB) mostra como a coisa é sintomática. Depois da crise provocada pelo inquérito aberto no Supremo Tribunal Federal (STF), sobre recebimento de “caixa 2” da Odebrecht na campanha de 2010, Ferraço vinha tentando se reerguer politicamente com uma manobra arriscada. Ele havia pegado a relatoria da controversa Reforma Trabalhista no Senado.
 
Ante a bomba da JBS e o consequente esvaziamento do Congresso, o senador paralisou a movimentação para a leitura do relatório por falta de clima político para isso. “Amigos, diante da gravidade do momento que vive o país, o bom senso determina que é necessário priorizar a solução da crise institucional, para depois darmos desdobramento ao debate relacionado à reforma trabalhista. Portanto, na condição de relator do projeto, anuncio que o calendário de discussões está suspenso”, disse nesta quinta-feira (18).
 
Mas a proximidade do senador com Aécio Neves é ainda mais complicada e desgastante. Foi pelas mãos do presidenciável que Ricardo retornou ao ninho tucano, em março do ano passado. O próprio Aécio abonou a ficha de filiação do senador, que à ocasião deixava o PMDB.
 
O peemedebista Lelo Coimbra é outra liderança que se desgasta. Ele foi escolhido em fevereiro para ser o líder da maioria do PMDB na Câmara, vinha defendendo o governo Temer com unhas e dentes, na linha da recuperação econômica, enquanto se movimentava na Câmara pela aprovação das reformas, contabilizando os votos.
 
Há dois dias, o deputado defendia o governo Temer como um governo que havia recolocado o Brasil nos trilhos. “A abertura de quase 60 mil empregos formais em abril é um ótimo sinal de que estamos no caminho certo, vencendo a pior recessão econômica da nossa história desde 1930. Nossa economia sinaliza recuperação e a prévia do PIB positivo, no primeiro trimestre-2017, já mostra claramente o avanço”, disse Lelo nas redes sociais.
 
Depois de ter disputado a eleição para a prefeitura de Vitória, Lelo mostrava sinais de que não contava mais com o apoio do governador Paulo Hartung (PMDB), que vem substituindo suas lideranças secundárias. O deputado federal tem se movimentado no Estado em busca de mobilização e convencimento sobre as reformas trabalhista e previdenciária, como uma espécie de promotor do governo Temer. Embora a pauta não ser a melhor de todas, lhe dava alguma visibilidade. Agora, fica difícil defender o governo Temer.
 
A também peemedebista Rose de Freitas não disputa a eleição do próximo ano, pelo menos para o Senado, já que terá mais quatro anos na Casa, mas ela vinha se fortalecendo com seus prefeitos Estado adentro, o que aumenta sua musculatura e a constituí como uma grande influência no processo eleitoral.
 
A principal ferramenta da senadora para isso sempre foi seu livre trânsito pelo Palácio do Planalto. Ela levou o então candidato a presidente da Associação dos Municípios (Amunes), o prefeito de Viana Gilson Daniel (PV), acompanhado de outros prefeitos para um encontro com Temer. A agenda armada por Rose seria para viabilizar recursos para os municípios capixabas, numa clara articulação de campanha pela disputa da Amunes. Lelo também seguiu o mesmo caminho de Rose, mas com o adversário de Gilson Daniel, o prefeito de Linhares Guerino Zanon (PMDB).
 
O governador Paulo Hartung também vem se movimentado para deixar o PMDB, mas isso vem acontecendo desde que assumiu o governo. Ele tenta manter uma distância segura da complicada situação política em Brasília, mas sempre vai rondar sua vida a reunião com Temer, quando o presidente ainda era vice de Dilma Rousseff, em dezembro de 2015, portanto, antes do processo de impeachment ganhar força. O conteúdo da reunião nunca foi revelado, mas poucos dias depois foi deflagrado o processo que culminou com a derrocada de Dilma e ascensão de Temer à Presidência. Especula-se que Temer teria pedido o apoio político do governador capixaba para a abertura do iminente processo de impeachment contra Dilma.

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