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APTA lança campanha para recuperação de nascentes no norte do Estado


17/10/2017 às 17:15
Uma oportunidade para quem quiser apoiar a recuperação de nascentes em comunidades quilombolas, camponesa e em assentamentos no norte do Espírito Santo foi aberta pela Associação de Programas em Tecnologias Alternativas (APTA), por meio de um projeto de financiamento colaborativo na Plataforma Catarse.
Até o dia 11 de dezembro, os interessados podem fazer suas doações e apoiar a ong, uma das mais antigas e atuantes do Estado nessa empreitada. O objetivo é beneficiar pelo menos duas comunidades quilombolas em Conceição da Barra, um assentamento em São Mateus e uma comunidade camponesa em Boa Esperança. Mas outras também estão na expectativa, caso a campanha consiga arrecadar mais fundos e mais parceiros se somem.
As mudas serão compradas no viveiro da comunidade quilombola Angelim 2, que é tocado por um grupo de mulheres há cerca de dez anos, e sempre doa mudas para os mutirões de reflorestamento realizados pelos moradores do Sapê do Norte, formados pelos municípios de Conceição da Barra e São Mateus.
Na divulgação da Campanha, o chamado para os doadores é para, juntos, “construirem áreas de preservação, produção de alimentos saudáveis e garantirem água para as gerações futuras”. Trabalho que já vem sendo feito pela ong há 27 anos e que, em vários momentos, contou com o apoio do Ministério do Meio Ambiente, de agências financiadoras de crédito e outros órgãos municipais, estaduais e federais.

Atualmente, no entanto, o Estado tem se eximido de ajudar e as comunidades e a APTA tem encontrado muita dificuldade para dar continuidade aos mutirões de reflorestamento, à produção agroecológica e à comercialização em feiras livres.
Na última reunião com a Prefeitura de Conceição da Barra, em agosto, por exemplo, os representantes do prefeito admitiram que o Poder Público municipal “não vê necessidade” de apoiar o trabalho da ong e que em 2018 irá mapear as comunidades com as quais a entidade atua para começar a prestar algum tipo de apoio.

Já o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) disse que a instituição não tem recursos “nem gasolina” para chegar até o Território Quilombola. Além disso, criticou a ong por fazer esse trabalho, sem o devido mapeamento de todo o território e um projeto formal de reflorestamento. Ou seja, “nem apoia nem deixa a gente fazer”, reclama a coordenadora geral da APTA, Gessi Cassiano, liderança na comunidade quilombola de Linharinho.
As comunidades quilombolas e os camponeses são um público invisível aos olhos do Estado. E os acampados e assentados da Reforma Agrária criminalizados pelo mesmo Estado que deveria lhes prover direitos fundamentais. São eles, justamente, o público prioritário de atuação da APTA, que tem, entre seus principais parceiros o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
“Nosso objetivo é manter a APTA funcionando e dar continuidade aos projetos na qual ela atua em cinco municípios”, informa a divulgação do projeto, destacando ainda a campanha permanente no combate ao uso de agrotóxicos. “Estudos indicam que cada brasileiro consome, via alimentos, uma média de cinco litros de agrotóxicos por ano”, diz.
A entidade não tem fins lucrativos e entre seus associados estão agricultores, professores universitários, estudantes, profissionais liberais e voluntários, todos ligados à agroecologia. 

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