Vitória (ES), edição de fim se semana
 
O 'bem-amado' dos nossos leitores





Jeanne Bilich

"É facílimo ser humorista, quando temos
todo o governo trabalhando para nós"
(Will Rogers - 1879-1935)


Não, não é exagero! O nosso jornal on-line tem mesmo um 'bem-amado' na Redação. Aquele que possui o mérito de congregar um número expressivo de leitores. Fato que pressupõe e até justifica a ilação lógica de ser ele um dos mais queridos e mais populares. Ou a ordem correta seria inversa? Certo é que essa característica acabou por lhe conferir o inalienável direito de receber o honroso título de "O bem-amado do SéculoDiário ponto com". Certificação mais que lisonjeira, pois não?! Mas, quem afinal é esse campeão de leitores? Se você está aí divagando na tentativa de adivinhar, aceite a dica: aposte no nome do Oswaldo Oleari. Como sabemos? 'Elementar, meu caro Watson'... medição eletrônica diária das 'visitas' feitas ao site pella incorruptível aritmética eletrônica. Resta uma pergunta. Fundamental, aliás. Acrescida de especulações subjacentes. Questão central: qual a fórmula de sucesso do Oleari? Subjacentes: seria a linguagem oral empregada pelo colunista, aliás, sua marca registrada, transposta para a forma gráfica? A qualidade das informações fornecidas? O próprio conteúdo da coluna? A capacidade crítica e bem-humorada de análise do jornalista? A interatividade estabelecida com o leitor? Diante dessa rajada de incógnitas, restou à repórter exercitar o mais elementar e básico da profissão: partir para o interrogatório do próprio 'bem-amado'. E tentar, se possível, mapear 'o caminho das pedras', via segura para se atingir o êxito. E já que estamos vivendo tempos de 'Big Brother', fomos dar uma 'espiadinha' na privacidade do Oleari. Buscar captar sua 'visão de mundo', valores, conceitos, preferências pessoais e até o hobby atual. Além dos planos acalentados para o futuro. Que afinal... Navegar é preciso! Munido de paciência oriental - característica que foge totalmente ao seu estilo - 'o bem-amado de SéculoDiário ponto com' recebeu esta repórter com explícita simpatia e muito bom humor - essa, sim, uma característica marcante! - e durante o 'interrogatório' xereta e invasivo, pontuado de sonoras risadas, mostrou inteira cooperação. O resultado você confere a partir de agora.

Século - Meu objetivo explícito é 'xeretar' sua vida privada, Oleari. Portanto, diga lá: idade, estado civil, local de nascimento e número de filhos.

Foto: Bernardo Coutinho
  
Oleari (risadas) - Nasci em 7/12/35. Estado civil? Casado. Quatro filhos - dois do primeiro casamento e dois do atual. Três são do sexo masculino e uma bela moça, a Flávia, que é a minha paixão (risos). Os homens são o Adolfo, o Pedro Henrique e o João Paulo. O Adolfo é jornalista e parece que agora vai enveredar pelos caminhos da 'vã filosofia' (risos); já o Pedro Henrique estuda música com afinco; e o João Paulo, o caçula, pretende fazer comunicação também. Aliás, já disse para ele: 'Mais um pobre na família' (risadas). Ele é também roqueiro da pesada, metaleiro, esses 'trem' .. E a Flávia é advogada. Eu nasci em Colatina, às margens do Rio Doce. Precisamente na rua da Lama, onde hoje está a Rádio Difusora de Colatina, que foi a primeira emissora da região norte do Estado. Aliás, uma das primeiras do Estado também.

- Você é um dos colunistas mais lidos de Século Diário, veículo que tem um público leitor que proporciona mais de 200 mil acessos ao jornal. Será que você descobriu a linguagem certa desta novíssima mídia, a Internet? A que você atribui seu sucesso?

- Esta é uma pergunta interessante e eu confesso a você não saber a resposta exata. Mas, quando o Rogério Medeiros me convidou para ingressar no Século Diário... Bem, o convite ocorreu da seguinte maneira: 'Olha aí, cara, você tem um programa diário de rádio, então, você deve agüentar uma coluna diária também, não é?' Topei o desafio. Eu acho que - e sempre pensei dessa maneira - na comunicação só existe uma única linguagem. Não existe uma linguagem do rádio, da televisão, do impresso e, agora, mais recentemente, uma linguagem para a Internet. Acredito que o que existe é a forma de como você se comunica com o público, como fala com esse público, não é? Então, eu confesso que fico surpreso - e claro, feliz! - porque é bom a gente saber que está bem, que o trabalho desenvolvido está contribuindo para uma boa audiência no veículo em que estamos trabalhando. O certo é que eu sempre 'vesti a camisa' do lugar onde estou. Então, acho que incorporei ali na minha coluna - e não é nenhuma linguagem nova não! - toda a minha experiência profissional, tudo que já fiz até hoje: no rádio, na televisão, em colunas de jornal e tal. Observe que é uma coluna de variedades e de besteirol.
Foto: Bernardo Coutinho
  
E, muitas vezes, nesse campo do besteirol - e já recebi esse retorno dos leitores - digo coisas, abordo temas e questiono, da mesma maneira que os escritores sérios abordam esses mesmos temas, só que à maneira deles - seriamente ou supostamente seriamente. Então, eu acho que essa questão da linguagem é subjetiva. Ratifico: creio que é a mesma linguagem. O texto que você faz, por exemplo, para dar uma notícia na TV há que se formatar no estilo da televisão. Mas, observe, as palavras são as mesmas, a notícia é a mesma, a 'cabeça' da matéria - o 'lead' - é a mesma coisa. E acredito que na Internet a coisa segue mais ou menos por aí... E, a bem da verdade, o Século Diário é um fenômeno.Trata-se de um veículo isolado que não dispõe de nenhuma grande rede de comunicação por trás e hoje disputa audiência com os grandes sites do Estado.

- Você já atuou em todo tipo de mídia: rádio, televisão, impresso e, mais recentemente, na Internet. Há um veículo específico da sua predileção? Ou essa preferência varia de acordo com suas fases profissionais?

- Não. Na verdade, eu gosto de toda a mídia. Procuro incorporar cada uma naquele momento específico. Agora, a minha grande paixão sempre foi o rádio. E continua sendo. Atualmente, estou até colaborando com a Rádio Universitária FM. É colaboração mesmo: não sou empregado, não recebo salário, faço um programa semanal por prazer. Até estou vivendo agora um momento muito feliz substituindo o nosso prezadíssimo Marien Calixte. Temos uma história de vida em comum e sólida amizade, coisa que é até muito bonita. Então, tenho realmente o prazer lúdico de fazer rádio.