Vitória (ES), edição de 15 de abril de 2004
 
Dois anos depois, caso Denadai continua sem conclusão



José Maria Batista



Dois anos após o assassinato do advogado Joaquim Marcelo Denadai, a Justiça ainda não tem data para realização do júri popular dos cinco acusados do assassinato. Um deles, o ex-tenente PM Paulo Jorge dos Santos Ferreira, foi assassinado e um outro PM, Dalberto Antunes Pereira, está preso. Três permanecem em liberdade.

São eles: o ex-militar e empresário Sebastião de Souza Pagotto, apontado como mandante do crime; a major PM Fabrízia Gomes da Cunha, mulher de Dalberto, e o empresário Leandro Scardua Mageski, dono de um ferro-velho onde foram assassinadas duas testemunhas, que iriam depor no processo.

Todos os cinco denunciados já foram pronunciados e deverão ser levados a júri popular, mas como o empresário Sebastião Pagotto e o PM Dalberto Antunes recorreram da decisão, o processo está paralisado na 4ª Vara Criminal de Vila Velha.

De acordo com as informações do cartório criminal, o juiz Carlos Magno Moulin Lima, que preside o processo, deverá encaminhar nos próximos dias o caso para o Tribunal de Justiça, que irá analisar o recurso contra a pronúncia, devendo decidir se será realizado, ou não, o júri popular.

Para a advogada Maria Aparecida Denadai, irmã da vítima, o processo sobre o assassinato de seu irmão está seguindo os trâmites judiciais comuns de todos os casos de repercussão no Estado. E que são marcados pela morosidade e procrastinação judicial. Ela citou como exemplo o caso do assassinato do ex-prefeito da Serra, José Maria Feu Rosa, que há 12 anos está tramitando na Justiça sem que os executores - alguns já assassinados - e os mandantes sejam levados a júri popular.

"Estão todos ai vivendo como se não tivesse acontecido nada e são todos bandidos", desabafou ela durante entrevista nesta quinta-feira (15), data em que o assassinato do advogado completa dois anos.

Denadai foi morto na noite de 15 de abril de 2002 quando retornava de uma caminhada na Praia da Costa, em Vila Velha. Seus executores pretendiam seqüestrá-lo e depois fazer desaparecer seu corpo. Mas o advogado percebeu a cilada e tentou escapar correndo, quando foi atingido com três tiros.

No dia seguinte, ele pretendia denunciar um esquema de corrupção em licitações em prefeituras do Espírito Santo e estourar um esquema de agiotagem e falsificação ideológica para compra e venda de imóveis envolvendo pessoas influentes da sociedade capixaba e o tabelião Henry Delano Waytt.

Ele foi também responsável por municiar o vereador de Vitória Antonio José Denadai, seu irmão e presidente da CPI da Lama, com documentos que denunciavam fraude licitatória no processo de concorrência para a execução dos serviços de limpeza de fossas e galerias na capital e que gerou um contrato de R$ 4,9 milhões com a prefeitura de Vitória.

A CPI da Lama teve seus trabalhos interrompidos por força de uma decisão judicial e o processo, até hoje - dois anos e meio depois - esta sendo julgado quanto ao mérito.

Durante as investigações sobre o assassinato do advogado, feitas em parceria pela Polícia Civil e Ministério Público Estadual, foi apurado que o empresário Sebastião Pagotto, dono da Hidrobrasil Saneamento e Limpeza Industrial Ltda., é quem teria contrato a morte de Marcelo Denadai.

Pagotto era também dono da Desentupidora Líder Ltda., que prestava serviços de limpeza de fossas e galerias em Cariacica e que havia sido denunciada por crimes contra a administração pública pelo Tribunal de Contas do Estado.

Por essa razão, ele criou a Hidrobrasil, que tinha a sua ex-secretária Edna Mara Santos como "laranja" para participar e ganhar a concorrência em Vitória, onde ele explorava o serviço de limpeza de galerias há dez anos.

Pagotto, junto com os outros quatro acusados do crime, teve prisão preventiva decretada mas acabou sendo libertado por força de hábeas-corpus.

O ex-tenente PM Paulo Jorge dos Santos Ferreira, que era segurança e amigo pessoal de Pagotto, foi assassinado em dezembro do ano passado, alguns dias após ter sua prisão preventiva suspensa também devido a um hábeas-corpus. Coincidentemente, o crime aconteceu também no dia 15. Hoje quatro meses após o assassinato de Pejota, as investigações estão em banho-maria.

A Justiça informa que o inquérito está na Polícia Civil e esta diz o contrário. Pejota foi um os mais importantes executores do regime militar na região Sudeste e teve uma grande importância na busca, captura e desaparecimento de quem contestava o regime.

Ele foi morto no bairro Santo Antônio, em Vitória, com mais de 30 tiros. A Polícia Civil informa que já tem o retrato falado de um dos assassinos, que é condenado pela Justiça por outro crime. Mas, até agora, ainda não conseguiu elucidar o caso.