Vitória (ES), edição de 19 de agosto de 2004
 
Aparecida Denadai cobra da
polícia resposta para caso Léo



Renata Oliveira


A demora na apresentação de resultados pela Polícia Civil sobre a morte do comerciante Leonardo Maciel Amorim, o Léo, está deixando apreensivas as famílias de outros envolvidos no Caso Denadai. Para a irmã do advogado morto em 2002, na Praia da Costa, em Vila Velha, Aparecida Denadai, esses casos precisam de respostas "senão vai dar a impressão de que o Espírito Santo é terra de ninguém".

Ela não acredita que o inquérito será fechado sem que o delegado aponte os assassinos e o mandante. "Quero acreditar no trabalho da polícia e entendo a necessidade de sigilo, mas já se passou um tempo razoável e a sociedade não pode mais ficar sem uma resposta. Já está passando da hora de acabar essa investigação e apontar os criminosos dos casos Léo e Pejota", disse.

Caso o inquérito que apura a morte de Léo seja encerrado sem que ninguém seja apontado, o único acusado que está preso, um pistoleiro que seria ex-policial, será solto. O delegado que preside o inquérito, André Cunha, mantém sigilo sobre as investigações, mas ao que tudo indica o caso está próximo de ser concluído.

O assassino foi filmado pela câmera de segurança da empresa. Léo, que era testemunha do caso Denadai, apresentaria novidades sobre o assassinato do advogado Marcelo Denadai. A morte do comerciante teria sido queima de arquivo.

Ele foi morto com cinco tiros na cabeça, dois nas costas e um nas nádegas. O primeiro tiro disparado pelo assassino atingiu o capô do carro, Léo se assustou e deixou o veículo morrer, o que travou todas as portas e a ignição. Um amigo do comerciante que saiu da empresa também aparece no carro de trás. Ele, porém, não teve nenhuma atitude, nem de fuga e nem de tentar ajudar o amigo que estava sendo assassinado.

Com a morte de Leonardo, subiu para quatro o número de envolvidos na morte de Denadai executados. O ex-tenente PM Paulo Jorge dos Santos Ferreira, Pejota, que era segurança e amigo pessoal de Sebastião Pagotto (acusado de ser o mandante do crime), foi assassinato em dezembro do ano passado, alguns dias após ter sua prisão preventiva suspensa devido a um habeas-corpus.

Em março de 2003, o comerciante Eduardo Victor Vieira, 28, foi morto dentro de seu ferro-velho, localizado em Vila Velha. O local foi invadido por dois homens armados, que anunciaram um assalto. Eduardo iria depor contra Pagotto na semana seguinte ao seu assassinato. Também foi morto o mecânico Carlos Alberto Almeida, 36. Este último, ao que parece, foi assassinado por engano.