A advogada Aparecida Denadai (foto) não tem mais segurança da Polícia Federal. A denuncia foi feita por seu irmão, o vereador Antônio José Denadai (PL), que proibiu a irmã de continuar denunciando a impunidade em que vive o ex-militar e empresário Sebastião Pagotto, acusado e preso preventivamente como o mandante do assassinato de seu irmão, o advogado Marcelo Denadai, e que aguarda em liberdade a decisão sobre o seu julgamento.
O vereador teme que a irmã sofra violências ou até seja assassinada. "Seis já foram assassinados e ela pode ser a próxima vítima, agora que não tem segurança da Polícia Federal", disse o vereador. Denadai disse que procurou o secretário de Segurança, Rodney Miranda, para informar que tanto ele quanto a irmã se sentiam ameaçados de morte. E ao mesmo tempo pedir providencias para esclarecimento nos assassinatos do ex-militar Pedro Paulo dos Santos Ferreira, o Pejota, um dos autores da morte do irmão, mas que não obteve resultado.
"Até sobre a manutenção da segurança de Maria Aparecida o secretário disse que não havia mais importância e por isso ela não seria mantida", denunciou o vereador.
Ele voltou a pedir no plenário a prisão do empresário Sebastião Pagotto até a realização do júri popular, afirmando que existem provas concretas e documentais de irregularidades no contrato com a limpeza de fossas e galerias da prefeitura de Vitória e que ainda é mantido entre o empresário e a Prefeitura de Vitória.
A irmã do vereador e do advogado assassinado tem denunciado que os poderes públicos continuam subvencionando o crime organizado à medida que um contrato feito com base em uma concorrência com documentos falsificados é mantido entre a prefeitura de Vitória e o empresário Pagotto.
Marcelo Denadai teria sido morto porque estava fornecendo para o irmão vereador provas contra as irregularidades cometidas pelo empresário em contratos para limpeza de fossas e galerias feitos com as prefeituras de Vitória e de Cariacica.
No caso de Vitória, a Câmara Municipal abriu uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar irregularidades na concorrência e no contrato para limpeza de fossas e galerias, mas foi obrigada a suspender a investigação por decisão judicial. A CPI foi suspensa pelo Tribunal de Justiça do Estado. A decisão foi derrubada em Brasília através de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), cujo acórdão, que deveria ser publicado no Diário Oficial da União 15 dias após a sentença, ainda não saiu passados quase 90 dias.
Para o vereador Denadai, não há interesse do poder público na continuidade de apuração do caso e a própria Câmara de Vitória não se interessou muito pelo assunto. "Eu vou acabar indo pessoalmente a Brasília falar com o ministro e tentar resolver isso", afirmou.
Como foi reeleito, Denadai tem mais quatro anos para tentar concluir as investigações da CPI que ficou conhecida como CPI da Lama e investigava um contrato inicial de R$ 4,9 milhões prorrogáveis e reajustáveis por 60 meses destinado à limpeza de fossas e galerias de Vitória.
Em Cariacica, três anos antes, um outro contrato de R$ 2,5 milhões para limpeza de fossas e galerias também feito por Pagotto foi denunciado pelo Tribunal de Contas do Estado, que detectou até a emissão de cheques em favor do empresário sem a respectiva prestação de serviços. Em Cariacica a firma de Pagottto tinha o nome de Desentupidora Líder Ltda. O mesmo nome usado em Vitória no período de 1997 a 2000 para limpeza de fossas e galerias.
Como as irregularidades detectadas pelo TCES em Cariacica impediam a empresa de participar oficialmente da concorrência de R$ 4,9 milhões prevista para continuação dos serviços em Vitória, Pagotto mudou o nome da empresa para Hidroservice Saneamento e Limpeza Industrial Ltda. Colocou a sua secretária Edna Mara Pereira Pinto como diretora -laranja da nova empresa, teria falsificado os documentos da certificação técnica da empresa e assim ganhou a concorrência.
A Polícia Federal tem tudo isso em mãos e foi com base nessas investigações que chegou até o empresário Sebastião Pagotto como mandante do assassinato do advogado Denadai.
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