Quem tem amigos como temos, não precisa inimigos. É sempre a mesma coisa: toda vez que pensam em colocar uma nova vítima (*) na direção da pobre Rádio Espírito Santo, surgem as listas de pseudo-candidatos, pseudo-indicados, pseudo-pretendentes. Nessas listas, quase sempre aparecem nomes que jamais foram cogitados ou consultados pelos de plantão no poder. Agora, não foi diferente.
(*) Aquilo não é prêmio, é sacrifício. Nem nosso sinhô jesuiscristim resolve a Rádio Espírito Santo, pois diretor ali vale para nada, embaixo de quem está na presidência da RTV.
O foco de todos os que dirigem ou dirigiram a RTV é sempre a tevê, que sempre consumiu os parcos recursos gerados pela rádio em gambiarras para se manter no ar e as aparências, diárias para viagens e otras cositas desnecessárias à gestão das duas emissoras. Além disso, existe ali um grupo corporativo que não faz nem deixa ninguém fazer e vive quinemqui gato de armazém: sentado em cima do saco.
A notícia - ou o boato - correu como um rastilho de pólvora pela Cidade e todo bichim & bichinha de zoreia ficou sabendo que o nosso prezadíssimo Cacau Monjardim - o competente José Carlos Monjardim Cavalcante, que já fez mais pelo turismo deste Estado do que todos os órgãos dedicados ao turismo, deputados estaduais, deputados federais, prefeitos, vereadores e toda a horda de doutores em turismo da sede da capitania petrolífera - pedira demissão. Pediu porque foi para um lugar que não o apetecia. O cargo é pequeno demais para Cacau, tanto quanto para nosotros.
Wesley, boateiro
A boataria correu solta e os nomes saiam de boca em boca. Mas, especialmente um grande boato divulgado pelo segundo colunista social de A Gazeta, o articulado Wesley Sathler - a primeira é a Veruska Seibel, ora, ora, de quem somos fãs de carteirinha, faixa e retrato na parede - foi um achado de boato.
Sob o título "Rádio", Wesley deixou rolar o seguinte boato na sua lidíssima coluna da mãezona A Gazeta: "Decano do jornalismo, Cacau Monjardim se prepara para deixar a direção da Rádio Espírito Santo. Desde o dia 25 encontra-se demissionário, aguardando substituto para o cargo. Eleisson de Almeida, Oswaldo Oleari e Adam Emil estão sendo cogitados".
Sim, mas cogitados por quem, cara pálida? Uma coisa dessas, para ter algum fundo de verdade, só poderia ser "cogitada" pelo secretário de Comunicação Tiãozim Barbosa ou pelo donatário do Emirado do ES, caçamba. Fora disso, vale nada. É puro boato. Pior. É balão de ensaio para queimar nomes, que nem sequer - nós e Eleisson de Almeida, pelo menos (*) - circulam pelos gabinetes dourados do Anchieta Palace. Wesley Sathler, mesmo articulado e bem informado como é, se prestou a soltar um balão de ensaio de quem não quer nem imaginar em ter qualquer um de nós dois na direção da Rádio Espírito Santo.
Direto ao caixa
Por algumas razões específicas, mas, principalmente, por saber que ambos poderiam resolver a Rádio Espírito Santo e botar um bando de gente lá que nunca gostou de trabalhar para trabalhar - não se falando nos que só comparecem religiosamente ao caixa do Banestes a cada 30 dias, pois afinal o governo Hartung paga em dia. Fora disso daí, o resto é palhaçada.
No nosso caso específico, não fomos consultados, convidados, sondados para porcaria nenhuma. Apesar disso, recebemos inúmeros pedidos de emprego, cumprimentos, e se iniciou aquela proverbial operação babaovo para quem está ameaçado de assumir o poder em alguma coisa, mesmo que esse suposto poder e essa alguma coisa sejam insignificantes relativamente. Um colega de trabalho, dos bons, chegou a ficar surpreso: "Mas, você não sabia de nada quando saiu no jornal?". Sabia nada vezes nada, simplesmente porque nunca existiu essa história.
Na verdade, o secretário Tiãozim Barbosa e o governo continuam indefinidos com relação à Rádio Espírito Santo, tanto quanto à RTV, esse monstrengo que, do jeito que é ou está, serve pra quase nada. Dois veículos fantásticos, sendo a Rádio Espírito Santo uma potência e com alguns grandes profissionais da maior qualificação na área técnica e em alguns horários da programação. Já teve um imbatível setor de esportes com ótimos profissionais, que lamentavelmente foi se desmontando.
TV Deus
Tem um presidente, um Diretor de TV, um Diretor de Rádio, cargos demais para uma organização que produz praticamente nada de útil para a comunidade e para o Estado. Como já serviram para cabides de emprego, maracutaias diversas e o mínimo de serviço público. No interior do Governo estadual, sabe-se por certo que a única coisa que se queria da RTV era que ela não competisse com nada nem ninguém da Rede Gazeta, rádios principalmente, pois a TV Educativa, Canal 2, e nada são a mesma coisa. Lá dentro, é conhecida como a TV Deus: muitos acreditam que exista, mas ninguém vê.
Mas, faltou alguém para dizer ao Tiãozim Barbosa e ao governador Paulo Hartung que nenhuma das duas tem condições para competir com quem quer que seja. E mais: que se pode fazer um plano de trabalho afirmativo para as duas sem colocá-las em rota de colisão com a Rede Gazeta, com quem o Governo deve ter seus acordos.
Cemitério abandonado
Para isso é preciso gente que trabalhe, que pense, que tenha um projeto definido. É fácil, fácil, mas o governo prefere alimentar aquele elefante branco que continua a ser a RTV, dentro de outro elefante branco, o Centro Cultural Carmélia de Souza com aquele climão de cemitério abandonado.
Que fique mais do que claro, finalmente, que não fomos cogitados, sondados ou convidados, como o boato divulgado pelo colunista Wesley Sathler de A Gazeta, ferindo uma velha regrinha dos bons manuais de jornalismo: checar antes de publicar. Lembra-nos historinha duca vivida pelo doutor Tancredo Neves ao ser eleito governador das Minas Gerais. Um fulano, doidim pra ir pro governo, ansioso por nunca ter sido sondado por Tancredo, encheu-se de razão e foi a ele. Disse que falava-se muito no seu nome - seu dele, o fulano - a imprensa divulgava e ele não sabia o que dizer.
Doutor Tancredo, como sempre sabiamente, lhe disse: "Diga que foi convidado, mas que você não aceitou". Tem mais - terá? - na próxima coluna.
Trocatroca com a coluna:
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