Mobilização versus selvageria





Caetano Roque da Silva


Os acordos coletivos fechados neste ano, que está se acabando, de um modo geral, estiveram aquém das possibilidades reais dos sindicatos. Tudo por conta da falta - do que aqui já cansei de me esgoelar - que faz a mobilização da própria categoria, ainda mais num Estado onde está presente o capitalismo no seu estado selvagem pleno, com a presença de Aracruz Celulose, CST, Vale do Rio Doce, Samarco.

O Sindicato dos Metalúrgicos, por exemplo, que tem na sua área de atuação, as poderosas CST, Samarco e Belgo-Mineira, entre outras de menor importância, acabou fechando vários acordos de salão (só na mesa de negociação), abrindo mão, inclusive, da convenção (é um acordo global que tem prioridade sobre os demais) para assinar acordos setoriais.

Com essa opção para vários acordos setoriais, dentro de uma mesma área de atuação, ele acaba atendendo, no sentido figurado, apenas pequenas empresas e empreiteiras de mão de obra, livrando a cara das grandes empresas, onde realmente estão os exorbitantes lucros, como, vale repetir, CST, Samarco e Belgo-Mineira.

São, em sentido figurado, os bagrinhos servindo de alimentos para os tubarões. Espero que neste ano que está entrando sindicatos como este a que estou me referindo, dos Metalúrgicos, possam fazer uma convenção só. Chama as grandes empresas para dentro da convenção e traz a reboque as pequenas empresas. Esse é o caminho lógico para um bom acordo.

Já que do jeito que as coisas foram este ano, o pequeno foi que livrou a cara dos grandes com suas pequenas conquistas. O que se deseja é o inverso. Que o acordo do grande puxe o acordo das pequenas e médias empresas. O que a gente acha que deva ocorrer o ano que vem, com os metalúrgicos, é uma acordo só, com resultados salariais de boa envergadura.

É isso aí e mais, como sempre, mobilização.