O governo do Estado está concluindo, no final deste mês, a primeira metade de seu mandato com o registro de alguns dados positivos em seu acervo de realizações. O destaque fica para a área das finanças, que alcança o equilíbrio graças a um grande esforço de contenção e racionalização de gastos. O que abre perspectiva, inclusive, para um volume considerável de investimentos em áreas carentes da administração - Saúde, Educação e Infra-Estrutura, principalmente.
O ponto fraco da administração, sem dúvida, está na segurança pública. Nunca a criminalidade avançou tanto como neste governo.
Faltou, sobretudo, planejamento. O que significa dizer que faltou visão política para o enfrentamento do problema.
Não deixa de ser louvável o empenho do governador no sentido de manter no cargo o secretário de Segurança, Rodney Rocha Miranda. Afinal, esta foi uma escolha pessoal sua - nada mais justo, portanto, que ele procure prestigiar o auxiliar que escolheu de forma tão meticulosa.
Não se questiona esse aspecto da determinação do governador. Rodney é um delegado altamente qualificado para a função policial. Demonstrou isso sobejamente quando atuou no combate ao crime organizado em seu tempo de servidor da Polícia Federal.
O secretário é portador de outros atributos pessoais, como honestidade e disposição para o trabalho, por exemplo. Sua deficiência reside, única e exclusivamente, no despreparo para planejar políticas eficazes de segurança pública.
A criminalidade evoluiu muito nos últimos tempos, sendo hoje um poder paralelo nas grandes cidades. Dispõe de armamento sofisticado, ocupa espaços onde o poder público não se faz presente, aprimorou e diversificou seus métodos de ação e tem a sociedade praticamente sob seu domínio.
A população tem medo dos bandidos, e paradoxalmente mais teme do que confia na polícia. Nada mais natural. Porque o poder público ainda não encontrou meios e modos de se fazer respeitar nessa sensível área da vida dos cidadãos.
Muitos governos, inclusive o federal, vêm se aprofundando no estudo da questão da violência, para, se não liquidar - o que ninguém jamais conseguiu, nem aqui nem nos países do chamado primeiro mundo -, pelo menos reduzir o peso da violência no cotidiano da sociedade.
Alguns dados novos dessa realidade já são de domínio dos estudiosos e vêm servindo de subsídios para ações mais ousadas e criativas de combate à violência. Sabe-se hoje, por exemplo, que, no nível a que chegou, a violência não pode ser combatida somente com repressão.
É perda de tempo fincar pé nessa posição. Há que aliar às táticas repressoras aspectos da sociologia e da psicologia, presentes nas próprias relações entre as comunidades e a bandidagem. Trata-se de mobilizar áreas governamentais aparentemente sem grandes afinidades para a realização de esforços conjuntos visando a neutralizar ações da criminalidade.
Detalhes sobre como proceder a esses esforços devem ser buscados entre os especialistas, que não são poucos. Mas o governador do Espírito Santo não tem se mostrado sensível aos apelos e às cobranças que surgem nesse sentido.
O pior desse desencanto do governador com inovações na segurança pública é que os piores efeitos recaem sobre os cidadãos. Sobra também para o governo, que pode ver ruir o sonho da reeleição por conta desse fracasso. Mas a dor maior será mesmo dos pobres mortais que pagam impostos.
|