Não satisfeita em ocupar quase a totalidade das terras agricultáveis do norte do Espírito Santo, a Aracruz Celulose planeja para 2005 encher de eucalipto os municípios do sul. A empresa vai fazer isso através do Fomento Florestal, valendo-se da sedução. Este programa prejudica os pequenos produtores, não gera lucro e ainda degrada o meio ambiente, com a agravante de colocar em risco a saúde dos capixabas.
Nele, os produtores plantam somente para servir à empresa, pois não têm retorno financeiro. Os preços pagos pela Aracruz são baixos e tendem a cair cada vez mais, com o aumento da oferta e a redução da demanda. Assim, a empresa é a única que lucra, e os inúmeros impactos que gera vão para a conta dos pequenos produtores.
O Fomento Florestal foi criado em 1990 e já afeta famílias de 63 municípios do Estado. Foi implantado como uma estratégia da empresa de burlar a proibição legal de plantar eucalipto no Estado. A Aracruz confessou o crime e fez um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) na Justiça Federal para o chamado Fomento I, e responde a processo sobre o Fomento II. Programas parecidos são realizados na Bahia e em Minas Gerais.
Detentora de mais de 450 mil hectares de eucalipto entre o norte do Estado e sul da Bahia, o plano da empresa de ocupar o sul capixaba terá um outro aliado, o governo estadual. Este lançou este ano o chamado Plano Florestal, que favorece a Aracruz Celulose.
O Plano prevê a participação de 7,2 mil propriedades agrícolas, onde serão plantadas 60 milhões de árvores em quatro anos. A madeira a ser produzida se destinará à indústria de celulose e aos pólos moveleiros do Estado, entre outros fins. A área total dos plantios será de 31.200 hectares. Destes, 27.000 hectares com eucalipto, com 56 milhões de mudas, para uso "econômico e florestal". Na prática, para a produção de celulose pela Aracruz Celulose.
E mesmo provocando excessiva retirada de água do solo, destruindo pela competição as espécies nativas e plantando com emprego de grandes quantidades de venenos agrícolas, entre outros danos ambientais, a Aracruz Celulose também vai certificar suas plantações.
O certificado de qualidade será dado pela Cerflor, lançado em fevereiro pelo Instituto Nacional de Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, a Sociedade Brasileira de Sivilcultura e a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
Seu processo é uma farsa, pois comprova que a floresta é manejada de forma ecologicamente adequada, socialmente justa e economicamente viável, sem ao menos ouvir as comunidades impactadas, o que se consolida como uma auto-certificação. O selo será mais um artifício para a empresa conseguir lucro, pois, com ele, aumenta seu crédito para exportação.
As principais vítimas da Aracruz Celulose são as famílias quilombolas, das quais foram tomadas as terras do Sapê do Norte (território em Conceição da Barra e São Mateus). A Aracruz Celulose também tomou terras dos índios. As agressões aos índios e aos quilombolas já foram denunciadas ao governo federal e à Câmara dos Deputados. Mesmo assim, a empresa continua se expandindo no Espírito Santo e na Bahia, com apoio do poder público.
Um absurdo!
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