A posição fechada do PSDB em favor da candidatura da deputada Mariazinha Lucas à presidência da Assembléia é um novo elemento na disputa pelo lugar do deputado Cláudio Vereza, do PT. Soa como se fosse uma mensagem de reaproximação na relação entre o prefeito Luiz Paulo e o governador, trincada nas eleições de Vitória, quando a posição de neutralidade do governador secou o candidato do prefeito, deputado César Colnago.
No fundo, é realmente uma proposta de reconciliação depois deste episódio todo de Vitória. Toda essa delicada conjuntura política entre Luiz Paulo e o governador está explicitada na cuidadosa mas reveladora entrevista que o prefeito deu ao jornal "A Gazeta". Nela, o prefeito Luiz Paulo dá sinais de maturidade política, mas também é absolutamente claro quanto à necessidade do seu partido de contar, a partir de fevereiro, com a presidência da Assembléia, inclusive como necessidade plena de sobrevivência política.
O governador, evidentemente, captou a mensagem. Mas no plano estratégico, que formula em proveito do seu futuro, aliança com o PSDB - principal adversário do governo Lula - é inconveniência pura para quem caminha agora para fazer alianças à esquerda.
A verdade é que os interesses políticos atuais do governador não combinam realmente com o desejo do prefeito de manter-se aliado do governador. A eleição de Mariazinha é praticamente a bóia de salvação do PSDB, conseqüentemente do futuro político do prefeito Luiz Paulo.
Não há como deixar de registrar que o momento é tenso entre os dois e o destino que o governador der à candidatura da Mariazinha pode muito bem resultar em conseqüências extremamente graves para o futuro político do Luiz Paulo. Se ontem a eleição da mãe para um mandato de deputada estadual dependia única e exclusivamente do filho, o destino dele hoje está ligado à eleição da mãe para a presidência da Assembléia.
Mas entre os dois há códigos elaborados em 30 anos de relação política. Um conhece o outro até nos detalhes. Construíram juntos um projeto de 20 anos de poder, que, certamente, vive, neste momento, uma hora decisiva, em que o prefeito Luiz Paulo pode estar saindo deste projeto de poder pela porta da frente.
Fragmentos
1 - O prefeito eleito de Cachoeiro de Itapemirim, Roberto Valadão (PSDB), anunciou o seu secretariado, cuja principal novidade é a entrega da coordenação de governo ao filho, Gláuber Valadão. Nepotismo à parte, Gláuber é um quadro da área administrativa-econômica dos mais preparados e experimentados na esfera federal.
2 - O secretariado de Valadão ainda resgata antigo auxiliares do seu governo, mas também mostra a valorização do seu vice, Atílio Travalglia, do PMN, para quem Valadão confirma ter projetos políticos para o futuro. Outro nome de real prestígio que levou para o seu governo foi o do jornalista e publicitário César Herkenhoff.
3 - Para quem conhece o estilo de Valadão, ele segurou o governo com sua velha equipe e o oxigenou com um pessoal novo, assimilando o lado empresarial do mármore. Uma salada de quem quer mudar o jogo e renovar a política de Cachoeiro. Previsão de futuro político para o filho Glauber e o vice Atílio Travalglia.
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