3 em 1 - Quem parte leva...




Stélio Dias


Com este artigo encerro minha participação no Século Diário. Cheguei ao Século trazido pelo professor Antônio Carlos de Medeiros. Assistimos e participamos das agruras e incertezas do parto deste projeto; das dores do seu crescimento e agora do sucesso de sua fase madura, e da aceitação junto à opinião pública do Estado. O número de acessos fala por si só.

O sucesso alcançado se deve a capacidade, a tenacidade e a honestidade de princípios do jornalista Rogério Medeiros. Rogério com o Século Diário criou um estado de alma, uma emoção antes de um CNPJ.

A alma chegou antes da empresa. Cercou-se, como tudo que fez na vida, de amigos, menos do que subordinados. Se existe subordinação na redação do Século é a princípios. Inovou, criou, e está formando uma geração de comunicadores de mídia eletrônica no Estado. Está fazendo História para o jornalismo capixaba e nacional.

Como bom Cacique, Rogério a exemplo de Antonio Callado sabe que os "índios fascinam a gente porque são anteriores ao tempo". O Século vivendo a tecnologia do hoje continua anterior ao tempo, procurando com incompreensão de muitos a pureza da informação até onde isso se torna possível. A informação nunca é do agrado dos poderosos, mas constrói a liberdade e com ela a democracia.

Aprendi muito com os 170 artigos aqui escritos. Eles me permitiram refletir muito sobre conceitos e fatos da vida nacional. Sobre pessoas e instituições. Sobre indivíduos e sociedades. Sobre governos e governados. Dei uma pequena contribuição ao processo de reflexão. Paulo Francis dizia que "quem não lê não pensa. E quem não pensa será para sempre um servo". Acho que contribui para diminuir o número de servos no meu Estado.

Refleti nesse caminhar sobre aqueles que querem viver no "cume da montanha sem saber que a verdadeira felicidade está na forma de subir a escarpe" (frase atribuída no bojo de uma carta despedida de Gabriel Garcia Marques e que ele negou - embora de tão bela não o tivesse feito) - e lamentei por eles. Tantos eles, escravos do poder e do dinheiro pensam e vivem o cume das montanhas, cegos a escarpe.

Como na música quem parte leva saudades. Eu não as levo. Deixo-as intactas no meu baú de viagens, tantas que já fiz e tantas que ainda pretendo fazer. Porque por enquanto não quero dar razão ao Millor Fernandes: "só há uma coisa que preenche tudo: o nada"....

Obrigado a quem que com sua leitura honrou-me; Obrigado a todos do Século Diário, até outro tempo....