Vitória (ES), edição de 28 de dezembro de 2004

Moradores: 'Prefeito não
deu atenção a Jardim Camburi'



Gilberto Medeiros
Foto capa: Bernardo Coutinho

"Pedimos mais vagas nas creches e o prefeito ficou empurrando com a barriga", reclamou Mariléia Almeida Ribeiro, presidente da Associação Comunitária de Jardim Camburi, ao saber que o bairro é apontado pelo Censo Imobiliário 2004 como alvo da expansão imobiliária, como declarou o presidente do Sindicon-ES, Aristóteles Passos Costa Neto (foto). "É para onde aponta o vetor de crescimento imobiliário".

"Nós temos duas escolas municipais e diversas particulares, mas com as duas creches públicas que temos a prefeitura não consegue atender direito e são mais de 200 crianças que estão nas filas à espera de vagas há vários anos", reclamou Mariléia. Ela disse que a demanda é por vagas para crianças com idades entre 3 e 4 anos.

Mariléia demonstrou preocupação com os rumos do mercado, ao analisar a infra-estrutura do bairro, "que não comporta os moradores que tem". Entre os principais problemas, citou outras demandas do bairro, que tem 60 mil moradores. "O bairro foi planejado para ser um balneário".

"Tem dia que o esgoto volta para nossas casas", reclamou. "O bairro tinha 400 casas e agora tem muitos prédios e o sistema de esgoto não foi feito para acompanhar".

O crescimento do número de imóveis fez Jardim Camburi ter 1.367 unidades de apartamentos em construção e apenas 41 casas. O total de empreendimentos no bairro representa, somados às 824 unidades de Jardim da Penha - bairro com o qual forma a região 2 -, 24% das 9.476 unidades em construção na Grande Vitória.

Outro ponto que sofreu esgotamento de sua capacidade, segundo a presidente da associação, são as vias de Jardim Camburi. "As ruas são pequenas e não suportam o fluxo de carros". Mariléia Almeida enfatizou, ao recordar o início do bairro em 1928, que "hoje nossa população é superior a muitos municípios capixabas".

Marta Baliano Caretta, da Divisão de Educação Infantil, confessou serem insuficientes investimentos da prefeitura no bairro. "O bairro não está desprovido de atendimento, mas as vagas não atendem à demanda".

Caretta relatou a estrutura de atendimento municipal no bairro. "O que nós temos em Jardim Camburi é o Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) João Pedro de Aguiar, com 13 turmas e 600 crianças, e o CMEI Ana Maria Chaves Polani, com 250 crianças".

A segunda unidade funciona provisoriamente num local que, para Marta Baliano, "é bom, bem arrumadinho". E, para Mariléia, "é muito quente com aquele telhado de zinco".

Marta Baliano revelou que está em processo a desapropriação de uma área para a construção de uma nova unidade para abrigar de vez as crianças da CMEI Ana Maria Polani e suprir a demanda do bairro. "Não vou estar mais na secretaria, mas, se fosse decisão minha, construiria uma unidade grande como o CMEI João Pedro Aguiar".

O secretário municipal de Obras, Fábio Ribeiro Tancredi, foi procurado por Século Diário para falar sobre o esgotamento sanitário de Jardim Camburi, mas não estava em seu gabinete e não retornou até o fechamento desta edição. A subsecretária Maria José Senna Martins de Almeida o acompanhava.

O prefeitinho que atende à região de Jardim Camburi, Cândido Cotta Pacheco, contestou a reclamação feita por Mariléia de que "nada foi feito" para melhorar o esgotamento sanitário do bairro. "Existem planejamento e preocupação com o grande crescimento demográfico, mas é difícil dizer alguma coisa agora", disse Pacheco. "Estamos no final do governo e vou ter de fazer um levantamento para falar com você, mas não concordo que nada foi feito".

A região 2 - Jardim Camburi e Jardim da penha - tem 30% dos lançamentos imobiliários, com 63% em Jardim Camburi. Das unidades em construção nos bairros, 1.576 (71%) já foram vendidas e 656 estão à venda. O custo médio do metro quadrado é de R$ 2.100,00.