Pelo menos dois, dos cinco processos do Movimento de Educação Promocional do Espírito Santo (Mepes) em tramitação no Conselho Estadual de Educação (CEE) estarão em pauta na reunião plenária desta quarta-feira (29), às 14h. O Mepes propõe a criação de cursos técnicos em agricultura orgânica no Estado, através das Escolas Famílias Agrícolas (EFAs).
A inclusão na pauta do CEE dos processos das EFAs de Garrafão, em Santa Maria de Jetibá, e do Bley, em São Gabriel da Palha foi confirmada pela secretária do Conselho, Marlene de Souza. A EFA de Garrafão dará o curso técnico em horticultura orgânica, e a do Bley, fruticultura agroecológica e administração de estabelecimento agrícola.
Os cursos técnicos destas duas escolas já haviam sido aprovados, à unanimidade, pelo plenário do CEE. Mas, ao invés de publicar a resolução que autorizaria o início dos cursos, o Conselho decidiu pedir novas informações ao Mepes. Estas informações, relacionadas a proposta pedagógica dos cursos, foram encaminhadas ao Conselho. Os pareceres dos conselheiros sobre os processos serão conhecidos nesta quarta-feira.
Também poderão entrar em pauta na reunião do CEE os processos de criação dos cursos das EFAs de Vinhático, no município de Montanha, para formação de técnico em fruticultura agroecológica e em criação de gado leiteiro; da EFA de Boa Esperança, que formará fruticultor e piscicultor; além da EFA de Jaguaré, que terá habilitações para técnico em produção orgânica familiar e fruticultor familiar orgânico.
A EFA de Olivânia, em Anchieta, já ministra os cursos de fruticultura e processador de agroindústria familiar, que foram autorizados a funcionar em 2003. Os cursos técnicos têm duração de quatro anos. Para os estudantes que cursaram o ensino médio, a duração é de dois anos.
A criação dos cursos técnicos orgânicos no Espírito Santo a partir do próximo ano só depende da decisão do CEE. Os cursos são essenciais para o desenvolvimento da agricultura sustentável no Estado: o Espírito Santo é o terceiro Estado do País no consumo por pessoa de agrotóxicos.
Os profissionais que atuam na produção orgânica têm amplo mercado. A demanda por alimentos orgânicos vem crescendo, pois os consumidores fogem dos efeitos devastadores dos venenos agrícolas. Os agrotóxicos intoxicam 500 mil brasileiros por ano, e matam 10 mil trabalhadores anualmente, no Brasil.
Dos intoxicados por venenos agrícolas cerca de 10% ficam definitivamente incapacitados para o trabalho, o que totaliza uma perda de 50 mil trabalhadores/ano no País. Segundo dados oficiais, o Brasil gasta, somente na compra de venenos agrícolas R$ 10 bilhões por ano (exatos US$ 2.502.131, em 2001).
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Pedagogia da Alternância, solução para o campo
Os cursos das EFAs empregam a Pedagogia da Alternância, desenvolvida pelo Mepes. Na Pedagogia da Alternância, o aluno divide seu tempo entre a escola e sua casa. O modelo pedagógico é ideal para a área rural.
A Pedagogia da Alternância chegou ao Brasil pelo Espírito Santo, e se espalhou para todo o País. E até alunos do exterior já se capacitaram para seu emprego no Centro de Formação do Mepes, que funciona em Piúma.
As EFAs funcionam em parceria do governo do Estado, através da Secretaria de Estado da Educação (Sedu), prefeituras, entidades privadas e as famílias dos alunos. A parceria permite o desembolso de apenas R$ 30,00 por mês pela família do aluno, como é calculado para escolas como a EFA de Garrafão.
Todas as EFAs que atualmente ministram ensino médio, também oferecem ensino fundamental, da quinta à oitava série. Além destas, no ensino fundamental estão ligadas ao Mepes as Escolas Famílias de Rio Novo do Sul, Campinho (Iconha), Alfredo Chaves, Rio Bananal, Marilândia, do Km 41 (São Mateus), Chapadinha (Nova Venécia) e de Pinheiros.
Cerca de 15 outras escolas rurais aplicam a Pedagogia da Alternância no Espírito Santo, no ensino fundamental e médio. Entre elas, as oito escolas dos assentamentos do MST.
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Leia mais:
(reportagem publicada em 15/10/2003)
(reportagem publicada em 10/03/2004)
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