Assassinos à solta




Não se discute a capacidade do secretário estadual de Segurança Pública, Rodney da Rocha Miranda. Nem, muito menos, sua honestidade. Ou ainda a disposição de combater tenazmente a criminalidade, o que ele tem demonstrado de forma inquestionável.

Nós de Século Diário fomos os primeiros a aplaudir sua escolha. Rodney chegou ao Espírito Santo trazendo no currículo um histórico de bons serviços prestados à Polícia Federal, da qual se desligou para servir à sociedade capixaba.

Por alguma razão que desconhecemos, contudo, o secretário não tem sabido orientar seus subordinados nas investigações sobre o caso Denadai e seus desdobramentos (assassinatos em série de envolvidos e testemunhas).

O caso Denadai transformou-se em lamentável episódio da crônica policial em nosso Estado, sobre o qual vem se estendendo um grosso manto de impunidade, da qual tem sido principal beneficiário o empresário Sebastião Pagotto, apontado pela polícia como o mandante do assassinato do advogado Joaquim Marcelo Denadai.

Pagotto era um homem pobre. Enriqueceu à custa do dinheiro público, amealhado em suspeitas transações com prefeituras do Espírito Santo.

Um pouco da história de Pagotto e de seus escabrosos negócios está contado na edição desta quinta-feira (1) pelo repórter José Maria Batista, que cobriu o caso e o vem acompanhando à distância enquanto se recupera de uma cirurgia.

Seria bom que a polícia voltasse os olhos para essa história, pois certamente encontraria nela elementos capazes de fazer Pagotto voltar à cadeia, de onde saiu por decisão judicial. Se o inquérito policial do caso reunisse todos os elementos da trama que resultou na morte de Denadai, com certeza Pagotto não teria obtido a liberdade de que hoje desfruta.

Não se pode responsabilizar a Justiça pela libertação de Pagotto. A responsabilidade é de quem não forneceu ao Judiciário os elementos capazes de robustecer não só a acusação contra o empresário, mas a tese - que hoje circula apenas nos bastidores - de que ele representa perigo para o andamento das investigações.

Agora mesmo a irmã do advogado assassinado, a também advogada Aparecida Denadai, está oferecendo às autoridades da polícia e do MP mais um elemento que fortalece a tese de que o empresário não pode continuar em liberdade. Ela, mesmo estando sob a proteção de dois agentes federais, sofreu intimidação do empresário.

Não uma intimidação por meio de recados ou telefonemas, mas feita de corpo presente, quando Pagotto fez questão de mostrar-lhe o rosto, viajando a bordo de um automóvel que vem usando para segui-la.

O que significa isso senão a certeza da impunidade?

Aparecida teme pela própria vida e não descarta a possibilidade de que novos assassinatos venham a ocorrer envolvendo pessoas que estão arroladas no inquérito como testemunhas ou envolvidos. Há um grupo de assassinos à solta, disseminando o medo e o terror sem dar a mínima para o que pensa, faz ou deixa de fazer a autoridade policial.