Vitória (ES), edição de 01 de julho de 2004
 
Morte de Leo: polícia ouve testemunhas



Ubervalter Coimbra


Duas testemunhas sobre a morte do comerciante Leonardo Maciel Amorim, o Leo, executado às 18h40 desta terça-feira (29), em Jardim América, Cariacica, depuseram na Polícia Civil no final desta quinta-feira (1). Compareceram acompanhados por uma terceira pessoa, além de representante do Ministério Público Estadual (MPE).

Leonardo Maciel Amorim, de 28 anos, era apontado com um dos responsáveis por financiar a morte do advogado Joaquim Marcelo Denadai, assassinado na Praia da Costa, em Vila Velha, na noite de 15 de abril de 2002. O crime teve repercussão nacional.

O outro responsável pelo financiamento da morte do advogado, e depois por pagar a defesa dos executores, é o sócio dele, José Manoel Canellas, como aponta a advogada Aparecida Denadai, irmã de Marcelo.

Os executores de Marcelo Denadai foram o ex-tenente da Polícia Militar Paulo Jorge dos Santos Ferreira, o Pêjota, e o policial militar Dalberto Antunes da Cunha, como é apontado nos inquéritos feitos pela Polícia Federal, com acompanhamento do Ministério Público. Também é acusada a major da PM Fabrízia Moraes Gomes Cunha, mulher de Dalberto.

Preso, só Dalberto. Pêjota chegou a ser preso, e ganhou liberdade condicional da Justiça. Foi executado com 25 tiros de pistola calibre de alto calibre, no dia 15 de dezembro do ano passado, em Santo Antonio. Quarenta e cindo dias de sair do Mosep II.

E quem mandou matar Denadai? O empresário Sebastião de Souza Pagoto, dono da Hidrobrasil Saneamento Industrial Ltda (sobre o tema ver reportagem nesta edição), como aponta o Ministério Público Estadual. Ele recebeu da Justiça autorização para responder ao processo em liberdade.

A execução de Leo pode estar diretamente ligada ao assassinato de Marcelo Denadai ou com o desdobramento do crime. Ele chegou a ficar preso na Polícia Federal.

Mas ele era sócio do Canellas nos negócios de caça-níqueis, e separou a sociedade. Estas são duas das linhas de investigação da Policia Civil, como informou no início da noite desta quinta-feira (1) o delegado Danilo Bahiense, chefe da Divisão de Homicídios da Polícia Civil.

Bahiense participou de parte da tomada dos depoimentos das duas testemunhas. À imprensa informou que o processo saiu da Delegacia de Cariacica, pois o delegado de lá está com excesso de serviço. E que designou para acompanhar o caso o delegado André Luiz da Cunha Pereira, a quem prometeu ajudar no acompanhamento do caso.

Sobre os depoimentos, nenhuma informação. Não revelou sequer o nome do promotor que acompanhou os depoimentos. Alegou que não deseja que elas corram risco de vida. Mas negou que eles tenham pedido garantia de vida. Não sabe se à Polícia Federal alguém pediu garantia de vida (o inquérito da morte Denadai saiu da PC para lá).

O depoimento, contudo, foi espontâneo. A hora precisa do assassinato, Bahiense já sabe e revelou. Não disse de que forma obteve a informação e se ela estaria registrada nos sistemas de vigilância das ruas e estabelecimentos comerciais de Jardim América.

Já sabe o delegado que o carro que saiu com o matador é claro. Disse que o veiculo não foi identificado, mas que se tivesse esta informação não a revelaria.

Novos depoimentos serão tomados nesta sexta-feira (2). A polícia já recebeu outras denúncias sobre o assassinato do comerciante.