Como se diz na gíria policial, quem tem qualquer informação a respeito da morte do advogado Marcelo Denadai ou da ligação entre o empresário Sebastião Pagotto e o ex-tenente PM Paulo Jorge dos Santos Ferreira, o Pejota, está "caindo". E o perigo de novas "quedas" continua em função do pacto de silêncio da polícia, opina o jornalista de Século Diário José Maria Batista.
Este indício de perigo para envolvidos e testemunhas do caso ficou evidenciado, ainda de acordo com o repórter especial de Século Diário - que está licenciado mas vem acompanhando o desenrolar dos fatos -, com o sigilo em torno dos dois depoimentos ocorridos na tarde desta quinta-feira (1) ao delegado André Luiz Cunha, na Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa.
A vasta experiência do jornalista na área policial garante a ele uma visão ampla dos fatos e uma análise do contexto em que acontecem as sucessivas mortes de envolvidos em um crime.
André Cunha é o mesmo delegado que já esteve à frente das investigações de outro caso de repercussão, o assassinato do juiz Alexandre Martins de Castro Filho, em 24 de março do ano passado. Ele preferiu deixar as investigações, embora haja o rumor de que teria sido afastado do caso pelo secretário de Estado da Segurança, Rodney Rocha Miranda.
Isto porque circula nos bastidores a notícia de que qualquer delegado que não esteja determinado a encontrar um mandante para o caso é exonerado, já que o secretário não aceita a versão de latrocínio (roubo seguido de morte). O caso foi evocado pelo próprio secretário, que acompanha de perto as investigações, e nem mesmo o Grupo de Gestão Integrada (GGI) tem autorização para tocar no assunto.
No caso da morte de Denadai, já se falou em ligação dela com o assassinato do juiz Alexandre, que, entre os diversos processos que tinha em mãos, constava a apuração do caso.
Há uma ligação entre as mortes do advogado, do juiz e do Pejota (e que não é somente o fato de os três terem acontecido em uma segunda-feira), mas a polícia prefere manter sigilo sobre isso. Tanto que o titular da Delegacia de Crimes contra a Vida de Vitória, encarregado de investigar a morte do Pejota, que aconteceu em dezembro do ano passado, sequer fala no assassinato. Diz até que nem viu o inquérito, apesar de a Justiça garantir que ele se encontra nas mãos do delegado.
Esclarecer e nomear os matadores de Pejota é dar um fim a essa seqüência de assassinatos de todos aqueles que de uma forma ou de outra sabem alguma coisa sobre o motivo da morte do advogado.
Por outro lado, já passa da hora de se determinar o indiciamento ou não do empresário Sebastião Pagotto como mandante do crime. Afinal, ele já foi pronunciado, preso preventivamente e hoje circula livremente pela cidade por força de um habeas-corpus, deixando apavorado qualquer eventual envolvido no caso. Vale lembrar que o soldado PM Dalberto Antunes Pereira e a mulher dele, a major PM Fabrízia Gomes da Cunha, estão na fila.
No caso do pronunciamento de Pagotto, podem pesar também os seus já identificados negócios com as prefeituras de Vitória, Cariacica e Vila Velha. Prefeituras que estivaram sob as investigações dos ministérios públicos Estadual e Federal, assim como as outras 75 prefeituras do Estado e várias do Rio de Janeiro.
Tudo por causa de supostas fraudes em concorrências e criação de empresas fantasmas. Um assunto que a Polícia Federal não concluiu e que já provocou denúncias nas prefeituras de Anchieta, Sooretama e São Mateus.
É um esquema que envolve milhões de reais e dezenas de empresas, e não é mera coincidência que o crime também estivesse na mira de Alexandre, que passou a receber ameaças de morte a partir do momento em que passou a investigar este segmento do crime organizado no Espírito Santo e sobre os quais Denadai sabia muita coisa.
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