Mais três testemunhas sobre a morte do comerciante Leonardo Maciel Amorim, executado nesta terça-feira (29), em Jardim América, foram ouvidas nesta sexta-feira (2). E até o final da noite outras deverão depor na Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
A DHPP mantém equipe na rua para conduzir outros envolvidos no caso e cujos nomes apareceram a partir do depoimento tomado na tarde desta quinta-feira (1) pelos delegados Danilo Bahiense e André Luiz Cunha. Os dois, que comandam pessoalmente os trabalhos, já admitiram que as investigações deverão correr em segredo de justiça e que o crime foi de mando. Sendo, portanto, de difícil apuração.
Para Bahiense, todos os envolvidos no crime deverão ser localizados e denunciados. Ele garante que a polícia está não está medindo esforços para executar essa ação o mais rápido possível. Mas não pode prever uma data para concluir o caso.
Oficialmente a polícia tem 30 dias para concluir qualquer investigação. Depois disso é obrigada a enviar o inquérito para a Justiça, relatar o que já foi feito e pedir novo prazo para concluir os trabalhos, se for o caso. A decisão fica por conta do juiz encarregado de analisar o assunto.
Nesta sexta-feira (2), o delegado Bahiense manifestou sua preocupação com a preservação da vida das testemunhas. Devido à complexidade do caso e suas vertentes mais em conta, há um risco de que a tradicional queima de arquivo seja posta em execução mais uma vez.
Tanto no caso do envolvimento do Leonardo com a morte do advogado Joaquim Marcelo Denadai - que já provocou várias mortes - como com o bingo e as máquinas eletrônicas. Tudo remete para o crime organizado.
E no caso do Espírito Santo, o crime organizado não tem marcas nem rastros. Tanto que até agora ninguém sentou no banco dos réus acusado de comandar a rede de assassinatos, fraudes, roubos e outras ilegalidades no Estado.
O depoimento de todas as testemunhas no caso do assassinato do Leonardo, 28 anos, está sendo presenciado também por um promotor de Justiça, que não quer ser identificado, mas sabe-se que ele foi designado pelo procurador-geral do Ministério Público Estadual (MPE), José Paulo Calmon Nogueira da Gama, como informou o delegado Danilo Bahiense.
De acordo com Aparecida Denadai, irmã do advogado Joaquim Marcelo Denadai, assassinado na Praia da Costa, em Vila Velha, na noite de 15 de abril de 2002, o comerciante Leonardo era uma testemunha importante no caso e estava envolvido no inquérito que apura o caso.
Outra seria o sócio ou ex-sócio dele, José Manoel Canellas, que já esteve preso por alguns dias na Polícia Federal. Foram indiciados no caso o empresário Sebastião de Souza Pagotto, apontado como mandante do crime, o policial militar Dalberto Antunes Pereira, a mulher dele, a major PM Fabrízia Gomes da Cunha e o empresário Leandro Scardua Mageski.
Dalberto é o único que ainda está preso. Com a morte de Leonardo, sobe para quatro o número de mortos de envolvidos na morte de Denadai. O ex-tenente da Polícia Militar Paulo Jorge dos Santos Ferreira, o 'PJ', que era segurança e amigo pessoal de Pagotto, chegou a ser detido também, mas foi executado 45 dias depois de ter ganhado liberdade condicional. Ele morreu com 25 tiros, no dia 15 de dezembro do ano passado, em Santo Antônio.
Em março de 2003, o comerciante Eduardo Victor Vieira, 28, foi morto dentro de seu ferro-velho, localizado em Vila Velha. O local foi invadido por dois homens armados, que anunciaram um assalto. Também foi morto o mecânico Carlos Alberto Almeida, 36. Eduardo iria depor contra Pagotto na semana seguinte de seu assassinato.
Leonardo era sócio de um caça-níqueis, onde os dois matadores de Denadai trabalhavam como seguranças, na época do crime. O irmão de Pagotto era advogado dos dois. Leonardo seria o financiador dos assassinos e estava sendo investigado pela Polícia Federal pelo envolvimento no crime.
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