Investigações emperradas




O titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Danilo Bahiense, jogou um pouco de luz sobre as investigações em torno do assassinato do ex-tenente Pejota, um dos desdobramentos sangrentos do caso Denadai. Mas só um pouco.

Suas declarações ao jornal "A Tribuna", edição desta quinta-feira (8), soam como um despertar. Ou seja, a impressão que se tem ao ler as informações do delegado é que as investigações estavam paralisadas, ou emperradas, como noticiamos recentemente.

Bahiense diz que a polícia vai realizar "novas investigações" a respeito do assassinato de Pejota. Não deixa de ser uma boa notícia, porque as "velhas investigações" deram em nada. Mas a dúvida sobre se essas "novas investigações" vão dar em alguma coisa permanece.

O delegado usa o velho chavão de que nada pode revelar, por enquanto, para não prejudicar as investigações. Ninguém quer prejudicar o trabalho da polícia. O que se quer - e aqui isto tem ficado muito claro - é que a polícia trabalhe no sentido de aprofundar as investigações.

E também que siga uma lógica investigatória, como fez o delegado federal que descobriu ser o empresário Sebastião Pagotto o mandante do assassinato de Marcelo Denadai. E o que fez ele? Rastreou as ligações do suspeito e de sua vítima.

Com isso, chegou rapidamente ao mandante e, em seguida, aos executores do crime. Entre estes figurava o ex-tenente Pejota, um dos mais temidos e frios pistoleiros do Estado.

Pejota foi morto ao atender uma ligação para seu celular. Esta é a chave do mistério: Pejota estava sempre com sua arma ao alcance da mão e só mesmo se ocupando com o celular ele se descuidaria da arma que tinha ao lado.

O arquiteto do crime pensou nisso e providenciou que Pejota atendesse o celular enquanto dois pistoleiros dele se aproximavam e o executavam com uma saraivada de balas. A lógica das investigações indicavam, portanto. que, rastreando o telefone celular de Pejota, as autoridades facilmente chegariam aos culpados.

O que temos cobrado aqui, em Século Diário, é a informação de que as investigações prosseguem, estão se aprofundando e vão chegar ao número de telefone de onde partiu a ligação fatal para Pejota. Numa palavra: queremos que este crime seja esclarecido o mais urgentemente possível.

E não fazemos isso por simples capricho. Estamos agindo em defesa dos demais envolvidos no caso Denadai, que correm o mesmo risco de morte de Pejota, aí incluída a irmã do advogado assassinado, Aparecida, que está com medo de morrer na mão dos pistoleiros que vêm executando todos aqueles que podem, de alguma maneira, ajudar no esclarecimento dos fatos.

Em última análise, estamos agindo em defesa da sociedade capixaba, que não pode continuar vivendo sob permanente tensão à espera de novas mortes violentas.