Vitória (ES), edição de 08 de julho de 2004
 
Criminalista garante ter
documentos sobre mortes



José Maria Batista e Renata Oliveira



Um criminalista com ampla atuação em Vitória está disposto a revelar uma série de documentos que reuniu nos últimos meses em torno das mortes do advogado Marcelo Denadai, do ex-tenente Paulo Jorge dos Santos Ferreira, o Pejota, e do juiz Alexandre Martins de Castro Filho.

O advogado - que preferiu não se identificar, porque receia sofrer um atentado - reluta em divulgar tudo o que apurou, mas prometeu que nos próximos dias contará tudo a este Século Diário.

Estes documentos envolvem ainda a denúncia de um "banho jurídico", de cerca de R$ 150 milhões que teria sido dado no município de Cachoeiro de Itapemirim, o que teria desagradado a membros influentes da sociedade local.

O sigilo é tal que se tornou pouco provável que tenha chegado à polícia. Exceto se o chefe da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), delegado Danilo Bahiense, num golpe de investigação, tenha contado com a sorte e conseguido ter acesso à ponta desse iceberg.

Se o caso for mesmo desvendado, virão à tona questões antigas, que antecedem a chegada da Missão Especial ao Espírito Santo, envolvendo até roubo de cargas e deixando a sociedade estarrecida.

De todo modo, é muito bom o anúncio da Polícia Civil, que estaria próxima de chegar aos criminosos. Resta saber se, concluído o trabalho policial, a partir da elucidação do assassinato do comerciante Leonardo Maciel Amorim, 28 - morto no dia 29 de junho, dentro de seu carro, em uma movimentada avenida do bairro Jardim América, em Cariacica -, os nomes dos envolvidos serão tornados públicos e os pedidos de prisão preventiva feitos.

Afinal, três assassinatos, envolvendo um advogado, um juiz e um ex-policial estão sendo cozinhados em banho-maria pela polícia, com dilatações de prazos que facilitam o pedido de anulação para a defesa e que garantem que os matadores continuem mandando matar sob os artífices da legalidade.