O presidente do Sindicon (Sindicato da Indústria da Construção Civil), Aristóteles Passos, revelou sua ansiedade em ver o desenvolvimento do Espírito Santo para os próximos 10 anos. Na última edição do jornal da categoria, criticou os bancos privados que parecem estar fora de uma política habitacional - tão cobrada pela população brasileira.
Trata-se de uma avaliação baseada no aproveitamento de nichos imobiliários, explorando locais que deverão crescer cerca de 40%. Em Vitória, por exemplo, bairros como o Barro Vermelho já estão sendo mais aceitos pelas classes média e alta, valorizando apartamentos de três e quatro quartos.
São construções que ainda merecem a contrapartida de instituições bancárias, inclusive para facilitar outros investimentos. O bairro de Bento Ferreira será outro que mostrará a sua nova cara com a solução para salas comerciais. O tino residencial do local ainda não foi devidamente trabalhado, de acordo com Aristóteles.
É que, para a construção civil, o bairro traz uma série de complicações, começando pelo solo de baixa qualidade e o risco de investimento numa área marinha - ainda necessitando de outros investimentos exteriores, na área de saneamento básico e infra-estrutura. No geral, ou seja, em todo o Estado, falta a solução do investimento bancário.
"Diversos programas foram implementados pela CEF (Caixa Econômica Federal), utilizando os recursos do FGTS, e nada imprimiu o ritmo efetivo a um mercado pujante como o imobiliário", diz o presidente do Sindicon no "Informativo Sindicon"/junho-2004.
E acrescenta que não se pode responsabilizar somente a CEF. "Os bancos privados também não responderam aos anseios dos empreendedores e vêm aplicando quantias insignificantes em nosso mercado - mais pela ausência de uma autoridade normativa que imponha o cumprimento da Lei 4.380/64 e menos por falta de recursos, que, na verdade, nunca faltaram".
Os nichos imobiliários, na avaliação de Aristóteles, só poderão ser devidamente aproveitados sob uma nova política habitacional. Ele elogia o programa da Caixa em operar "ouvindo" o produtor de habitação - que há muito vinha exigindo novas soluções do governo federal.
"Além disso, os bancos privados sinalizam o retorno dos financiamentos para as empresas incorporadoras. Será que podemos esperar momentos de prosperidade em nosso mercado?", questiona.
A vocação de certos bairros residenciais em Vitória, por enquanto, ficará estagnada. É o caso da pouca rotatividade em áreas que já foram exploradas em excesso: Mata da Praia e Praia do Canto são bons exemplos. Em Vila Velha, um setor que já está "exausto" de ofertas e não tem por onde se expandir - mais em termos físicos - é a Praia da Costa.
Também na parte física, agora falando em Vitória, um bairro que está impossibilitado de crescer é Jardim Camburi. Pelo menos se for considerada a construção agendada para os próximos cinco anos. Uma das soluções é o investimento se espalhar para o vizinho Laranjeiras, na Serra - considerado um potencial de empreendedores.
Em todo o Espírito Santo, segundo o presidente do Sindicon, não há tradição da compra do imóvel - sobretudo, do apartamento - para investir, isto é, com o objetivo de alugá-lo por vários anos. A tradição capixaba está voltada à moradia do próprio comprador, na maioria dos casos, com a família.
O nível de negociação também é outra dificuldade do mercado da construção e, conseqüentemente, do imobiliário. Curiosamente, entre R$ 100 e R$ 250 mil negociar é difícil. Mas o setor de construção no Estado está registrando um bom nível de crescimento.
Foi quase R$ 1 bilhão em construção, nos últimos anos. De outubro até este mês, quase 60% dos imóveis já estão comercializados, de acordo com o 5º Censo Imobiliário, divulgado à imprensa na última quarta-feira (7), pelo Sindicon, em parceria com a Ademi (Associação das Empresas do Mercado Imobiliário-ES).
O Espírito Santo, segundo apontam os dados do censo, está acima da média nacional e entrou o ano de 2004 com largas chances de fazer um alicerce de empreendimentos para os próximos anos - quando se prevê uma leva de investimentos de grandes empresas, a exemplo da Petrobras. O preço do metro quadrado no Estado ainda é um dos mais atraentes do Brasil.
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