Vitória (ES), edição de 08 de julho de 2004
 
Escola Família do ES abre inscrição
para curso de técnico orgânico



Ubervalter Coimbra



A Escola Família Agrícola (EFA) de Garrafão, em Santa Maria de Jetibá, abriu inscrições para o curso técnico em agricultura orgânica. Já a EFA do Bley, em São Gabriel da Palha, ainda não definiu quando abrirá inscrições para os seus cursos técnicos. Os cursos oferecerão 40 vagas, cada, e já estão autorizados a funcionar pelo Conselho Estadual de Educação (CEE).

Na EFA de Garrafão será formado hortifruticultor orgânico e, na EFA do Bley, fruticultor agroecológico e administrador de estabelecimento agrícola. O diretor da escola do Bley, Ednaldo Freitas Ribeiro, informou que não foi definido quando a escola abrirá inscrições, mas os cursos podem começar ainda este semestre.

Já a EFA de Garrafão reunirá os interessados no curso técnico no próximo dia 13, às 14h. O curso começará no dia 26 deste mês ou, no máximo, no início de agosto. Poderão participar pessoas que já tenham o ensino médio em agropecuária e, para eles, a duração do curso será de um ano.

Interessados no ensino técnico que já tenham feito o primeiro ano do ensino médio ingressam na EFA de Garrafão no segundo ano do curso técnico. O curso técnico tem duração de quatro anos.

Os cursos das EFAs empregam a Pedagogia da Alternância, desenvolvida pelo Movimento de Educação Promocional do Espírito Santo (Mepes). Na Pedagogia da Alternância, o aluno divide seu tempo entre a escola e sua casa. O modelo pedagógico é ideal para a área rural.

As EFAs funcionam em parceria do governo do Estado, através da Secretaria de Estado da Educação (Sedu), prefeituras, entidades privadas e as famílias dos alunos. A parceria permite o desembolso de apenas R$ 30,00 por mês pela família do aluno, como calcula o diretor da EFA de Garrafão, Siegmund Berger.

O Mepes está transformando o ensino médio de suas escolas em cursos técnicos, todos voltados para o desenvolvimento e ensino de tecnologias naturais. Mas nas EFAs, se o aluno não quiser fazer o quarto ano, pode cursar apenas o ensino médio, em três anos.

Os processos dos cursos da EFA de Vinhático, no município de Montanha, para formação de técnico em Fruticultora Agroecológica e em Criação de Gado Leiteiro, e da EFA de Boa Esperança, que formará fruticultor e piscicultor, foram distribuídos pelo CEE para os conselheiros, para análise.

O Mepes finaliza o processo da EFA de Jaguaré para enviá-lo ao CEE. Terá habilitações para técnico em produção orgânica familiar e fruticultor familiar orgânico.

A EFA de Olivânia, em Anchieta, já tem curso autorizado desde 2003 em fruticultora familiar e processador de agroindústria familiar.

Todas as EFAs que atualmente ministram ensino médio, também oferecem ensino fundamental, da quinta à oitava série. Além destas, no ensino fundamental, a Rede Mepes mantém EFAs em Rio Novo do Sul, Campinho (Iconha), Alfredo Chaves, Rio Bananal, Marilândia, do Km 41 (São Mateus), Chapadinha (Nova Venécia) e de Pinheiros.

Cerca de 15 outras escolas rurais aplicam a Pedagogia da Alternância no Espírito Santo, no ensino fundamental e médio. Entre elas, as oito escolas dos assentamentos do MST.

A partir do Espírito Santo, a Pedagogia da Alternância se espalhou para todo o País. E até alunos do exterior já se capacitaram para seu emprego no Centro de Formação do Mepes, que funciona em Piúma.

O telefone da EFA de Garrafão é (27) 3263.4004 e os da EFA do Bley (27) 3727.2383 e 9947.4430.

   

EFA de Garrafão terá curso superior em agroecologia

A direção da EFA de Garrafão trabalha para criação de um curso superior em agricultura agroecológica. Ele também será ministrado de acordo com a Pedagogia da Alternância, e poderá ser oferecido a partir do segundo semestre do ano que vem, segundo informou o professor Siegmund Berger.

Formará um profissional habilitado a ensinar agroecologia e atuar na extensão rural. Além das disciplinas pedagógicas, o currículo terá conteúdo básico das áreas das engenharias agronômica e florestal, medicina veterinária, zootecnia e economia doméstica. A duração, a grade curricular, e o financiamento para implantação do curso são alguns dos pontos que estão sendo estudados.

Os profissionais que atuam na produção orgânica têm amplo mercado: a demanda por alimentos orgânicos vem crescendo, pois os consumidores fogem dos efeitos devastadores dos venenos agrícolas. Os agrotóxicos intoxicam 500 mil brasileiros por ano, e matam 10 mil trabalhadores anualmente, no Brasil.

Dos intoxicados por venenos agrícolas cerca de 10% ficam definitivamente incapacitados para o trabalho, o que totaliza uma perda de 50 mil trabalhadores/ano no país. Segundo dados oficiais, o Brasil gasta, somente na compra de venenos agrícolas, R$ 10 bilhões por ano (exatos US$ 2.502.131, em 2001).

   

Leia mais:
  • Venenos agrícolas matam 10 mil trabalhadores por ano no Brasil
    (reportagem publicada em 15/10/2003)
  • MST forma técnicos em agroecologia no Espírito Santo
    (reportagem publicada em 10/03/2004)

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