Vitória (ES), edição de 12 de julho de 2004
 
Preso suspeito do assassinato de
Leo, 4a vítima da queima de arquivo



Renata Oliveira



Apesar de manter o assunto em sigilo, a Polícia Civil parece estar próxima de esclarecer o assassinato de Leonardo Maciel Amorim, o Leo, quarto envolvido no Caso Denadai a ser morto como queima de arquivo. Um suspeito, que seria um ex-policial, estaria detido na Delegacia de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP). Mas o delegado André Cunha (foto) não confirma a prisão.

O acusado também estaria envolvido na morte do mecânico Carlos Alberto Almeida, no ano passado. Para o delegado André Cunha, que investiga o caso, o sigilo é importante para o desenvolvimento dos trabalhos. "Não podemos confirmar nada neste momento para não atrapalhar as investigações", disse.

O comerciante Leonardo foi morto no dia 29 de junho, por volta das 18h40, em uma avenida do bairro Jardim América, em Cariacica. Os dois assassinos estavam em um veículo Gol preto e fecharam o Corolla placa MTA-1302, conduzido pelo comerciante. Um deles desceu do carro com a arma e disparou vários tiros contra a vítima.

Com a morte de Leonardo, subiu para quatro o número de mortes violentas
de envolvidos no assassinato de Denadai, crime que teve como mandante, segundo a Polícia Federal, o empresário Sebastião Pagotto, que está em liberdade por força de um hábeas-corpus. O ex-tenente PM Paulo Jorge dos Santos Ferreira, que era segurança e amigo pessoal de Pagotto, foi assassinato em dezembro do ano passado, alguns dias após ter sua prisão preventiva suspensa também devido a um habeas-corpus.

Leonardo era sócio de um caça-níqueis, onde os dois matadores de Denadai trabalhavam como seguranças, na época do crime. O irmão de Pagotto era advogado dos dois. Leonardo seria o financiador dos assassinos. O comerciante estava sendo investigado pela Polícia Federal pelo envolvimento no crime.

Em março de 2003, o comerciante Eduardo Victor Vieira, 28, foi morto dentro de seu ferro-velho, localizado em Vila Velha. O local foi invadido por dois homens armados, que anunciaram um assalto. Também foi morto o mecânico Carlos Alberto Almeida, 36.

Denadai foi morto na noite de 15 de abril de 2002 quando retornava de uma caminhada na Praia da Costa, em Vila velha. Seus executores pretendiam seqüestrá-lo e depois desaparecer com o seu corpo. Mas o advogado percebeu a cilada e tentou correr, quando foi alvejado com três tiros.