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  Vitória (ES), edição de 13 de julho de 2004
 
Cinqüenta anos de rebeldia



Fabíola Zardini


  
Foto: Divulgação
  
A banda Símios é uma das referências capixabas no estilo

No dia internacional do rock, o mais transgressor dos estilos musicais chega aos 50 anos mais jovem do que nunca. Ele surgiu no Estados Unidos e veio do blues e do country, estilos próprios do sul daquele país. Desde o nascimento, gera polêmica entre as gerações, principalmente pela atitude transgressiva dos adeptos e da rebeldia dos fãs.

Entre os primeiros roqueiros estão Bill Haley, Chuck Berry, Little Richard, que se tornaram amados pelos jovens e odiados pelos conservadores. Mas como tudo evolui, o rock foi se modificando e adquirindo sub-estilos, como rockabilly, punk, hard rock, heavy metal, hardcore, trash metal, entre outros, que foram assimilados pela mídia e pela cultura ocidental.

A partir daí, espalhou-se por todo o mundo e ganhou características próprias nos locais por onde passou. No Brasil, o estilo foi bem aceito, tornando-se até estilo de vida dos jovens de uma época.

Na década de 60, o País aprendeu a gostar de Sérgio Murilo e Celly Campelo, que eram considerados rei e rainha do rock nacional, por causa dos covers que faziam e de suas famosas composições "Marcianita" e "Broto Legal". Daí, os músicos brasileiros passaram a compor no estilo norte-americano com versões em português para músicas estrangeiras.

Cantores como Wanderléia, Silvinha, Eduardo Araújo, Renato e seus Blue Caps, Jerry Adriani, The Fevers, Golden Boys e muitos outros, tornaram-se famosos justamente por causa destes covers. Daí surgiu a Jovem Guarda, com Erasmo e Roberto Carlos.

Vieram também Os Mutantes, formado por Rita Lee, Sérgio Dias e Arnaldo Baptista, que nunca obtiveram grande sucesso comercial, mas seu pioneirismo influenciou toda uma geração futura. O grupo durou menos de dez anos e Rita Lee foi a única integrante que conseguiu fazer sucesso com a carreira solo.

O rock brasileiro voltou à ativa no final dos anos 70 e começo dos 80, quando surgiu uma série de grupos de diferentes estilos, alguns dos quais são consagrados até hoje no Brasil. No estilo rock blues, podemos citar Barão Vermelho, de onde saiu Cazuza, Eduardo Dusek, Lobão, Rádio Taxi e Azul 29. Dentre os que apostavam em letras bem humoradas estão Blitz, Ultraje a Rigor e João Penca e seus Miquinhos Amestrados, além do Camisa de Vênus, que fazia um som mais cru, totalmente punk, e o Joelho de Porco.

Os Paralamas do Sucesso apostaram na mistura de ska com rock e acertaram, enquanto que os Titãs já mudaram seu estilo inúmeras vezes, mas continuam fazendo parte dos mais vendidos no Brasil.

A década de 80 trouxe também vários grupos punks, cujas letras de protesto eram cantadas pelos jovens mais pobres do País, chegando também a conquistar os de classe média e alta. Ira!, Inocentes, Cólera, Ratos de Porão e Olho Seco são alguns dos maiores representantes do estilo punk brasileiro. O trash metal só começou a fazer sucesso no País com bandas como Dorsal Atlântica e Sepultura.

Hoje, o mercado está difícil para o rock, que anda encontrando sérias dificuldades para continuar existindo na cultura brasileira. Mesmo assim, grupos como Raimundos e Angra, apesar de serem de estilos completamente diferentes (o primeiro é punk e o segundo é power metal), andam abrindo algum espaço para os que ainda virão.

No Espírito Santo, Solana, Nave, Oz e Símios são alguns dos exemplos nativos que seguem o estilo e a linha dos eternos roqueiros. Mesmo tendo voltado à condição de underground, que sempre lhe foi característica, o rock continua forte em todo o país, onde encontra apoio dos fãs e da mídia especializada

Fonte: www.torturarock.hpg.ig.com.br