Vitória (ES), edição de 14 de julho de 2004
 
Em segredo, polícia continua
caçada aos assassinos de Léo



José Maria Batista e Renata Oliveira



Continuam intensas as buscas aos assassinos do comerciante Leonardo Maciel Amorim, 28, o Léo. Ele foi executado a tiros no dia 29 de junho, em uma movimentada avenida do bairro Jardim América, Cariacica. A polícia mantém o sigilo sobre o caso e não confirma a caça a três suspeitos do crime.
No último fim de semana, a polícia intensificou as buscas aos criminosos, chegando a prender uma pessoa e liberá-la em seguida. A prisão, porém, não é confirmada pelo delegado que preside o caso, André Cunha (foto).

A intenção é apresentar os assassinos antes que termine o prazo para a conclusão do inquérito. A polícia confia no sigilo para não atrapalhar as investigações e evitar a fuga dos culpados.

Léo foi o quarto envolvido no Caso Denadai a ser morto. Ele era sócio de um caça-níqueis, onde os dois matadores de Denadai trabalhavam como seguranças, na época do crime. O irmão do empresário Sebastião Pagotto - apontado pela Polícia Federal como mandante do assassinato de Denadai - era advogado dos dois. Leonardo seria o financiador dos matadores. O comerciante estava sendo investigado pela Polícia Federal pelo envolvimento no crime.

Para a irmã do advogado Marcelo Denadai, a também advogada Aparecida Denadai, a demora na apresentação dos criminosos e o silêncio das autoridades diante do caso trazem preocupação para os familiares e para os envolvidos no caso.

Ela diz ter medo de ser morta durante a campanha eleitoral, já que é candidata a prefeita de Cariacica e estará exposta durante o período da campanha. "Esperamos tempo demais, é hora de apresentarem resultados, ou será que estão esperando a quinta vítima?", disse.

Além de Leonardo, o ex-tenente PM Paulo Jorge dos Santos Ferreira, o Pejota, que era segurança e amigo pessoal de Pagotto, foi assassinato em dezembro do ano passado, alguns dias após ter sua prisão preventiva suspensa também devido a um habeas-corpus.

Em março de 2003, o comerciante Eduardo Victor Vieira, 28, foi morto dentro de seu ferro-velho, localizado em Vila Velha. O local foi invadido por dois homens armados, que anunciaram um assalto. O mecânico Carlos Alberto Almeida, 36, foi morto por engano.

Denadai foi morto na noite de 15 de abril de 2002 quando retornava de uma caminhada na Praia da Costa, em Vila velha. Seus executores pretendiam seqüestrá-lo e depois desaparecer com o seu corpo. Mas o advogado percebeu a cilada e tentou correr, quando foi alvejado com três tiros.