Vitória (ES), edição de 19 de julho de 2004
 
Conexão entre mortes de Pejota
e Léo não está descartada



Renata Oliveira



Os acusados de terem executado a tiros o comerciante Leonardo Maciel Amorim, o Léo, no final de junho, em Jardim América, Cariacica, podem estar envolvidos com a morte do ex-tenente Paulo Jorge dos Santos Ferreira, o Pejota, em dezembro do ano passado, em Santo Antônio, Vitória. A advogada Aparecida Denadai (foto) vê conexão entre esses crimes e o assassinato de seu irmão.

A polícia não revela os nomes dos presos, e o que se sabe é que se trata de um advogado (que foi liberado após pagar fiança) e um ex-policial militar, que foram presos, segundo a polícia, na última sexta-feira (16). Uma operação que envolveu quase 30 policiais - entre civis e militares - foi montada para cumprir dois mandados de prisão e mais nove de busca e apreensão, todos em Vila Velha.

O delegado André Luiz Cunha, que preside o inquérito na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), disse na manhã desta segunda-feira (19) que a polícia já tinha as características físicas dos acusados desde o dia do assassinato, 29 de junho.

"Havia um reconhecimento prévio dos acusados pelas testemunhas do crime e desde o dia do crime estávamos colhendo dados para efetuar as prisões", explicou o delegado.

Ele não descarta a possibilidade de ligação entre esse crime e outros de repercussão. "Há a indícios de envolvimento de um dos acusados no assassinato do Pejota também", disse. O delegado, porém, nega que os acusados tenham envolvimento com o Caso Denadai.

Para a advogada Aparecida Denadai, irmã de Marcelo Denadai - morto em abril de 2002, na Praia da Costa, em Vila Velha -, não existe desconexão entre essas mortes e o assassinato de seu irmão.

"Tudo faz parte de um esquema só. Podem até ser equipes diferentes que vêm cometendo esses crimes, mas o mandante é o mesmo. Acho que as investigações vão chegar a essa conclusão", afirmou.

Aparecida vê como positivas as prisões efetuadas pela polícia na última semana. "Isso é uma resposta ao que estamos sempre cobrando. Acho que, se continuarem nesta linha, vão chegar aos 'peixes grandes'".

Ela considerou compreensível a atitude da polícia em manter segredo sobre as prisões. "O sigilo é importante para que as abordagens aconteçam de surpresa. Se a polícia falar todos os passos, não consegue pegar ninguém", disse.

O delegado André Luiz garantiu que até a próxima quarta-feira (21) a DHPP terá novidades no caso. Ele afirmou que não há novos mandados de prisão para serem expedidos.