O Conselho Estadual de Direitos Humanos (CDH) vê com preocupação a morosidade nas investigações do assassinato do advogado Marcelo Denadai e das mortes de envolvidos no caso. O presidente do Conselho, Isaías Santana da Rocha, cobra das autoridades federais e estaduais uma resposta à sociedade capixaba.
Ele acha que a prisão de um dos acusados de executar uma das testemunhas não garante tranqüilidade à população. Disse também que o caso Denadai está no "rol dos insolúveis", pois, segundo ele, mesmo com todos os indícios e do conhecimento das motivações, o caso não foi concluído e os culpados não foram a julgamento.
Isaías afirma que a morte de Denadai ainda não foi totalmente elucidada, e que a falta de resultados faz com que se perpetue no Estado a idéia de impunidade. "A soltura do acusado de mando e de alguns intermediários da morte gera insegurança nos envolvidos. E quem for preso não vai ajudar à polícia porque sabe que pode morrer também", explicou.
Isaías atribui essa falta de solução para os casos polêmicos à falta de apoio das autoridades federais. "O Estado vive uma situação de abandono no que se refere ao combate ao crime organizado. Durante a permanência da missão especial, muitos agentes envolvidos nas investigações foram promovidos ou tirados do Estado para esvaziar o trabalho", desabafou.
Para ele, a falta de resposta causa uma grande ansiedade de quem não agüenta mais conviver com as ações do crime organizado. "O Espírito Santo escreveu na história do Brasil uma possibilidade de combate a esse sistema de corrupção e violência, que vem acontecendo nas últimas décadas em todo o País. Mas as autoridades públicas estão mostrando que não são capazes de corresponder a esse anseio da sociedade", disse.
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