Vitória (ES), edição de 28 de julho de 2004
 
Morte de Léo faz um mês e
delegado vai pedir mais prazo



Renata Oliveira


Nesta quinta-feira (29) o assassinato do comerciante Leonardo Maciel Amorim, uma das testemunhas do Caso Denadai, completa um mês. O delegado que preside o caso, André Cunha, adianta que vai solicitar a prorrogação do prazo para a conclusão do inquérito, que segue sob sigilo.

Leonardo foi executado com oito tiros de pistola dentro de seu carro, em uma avenida de Jardim América, Cariacica. Ele era sócio de um caça-níqueis, onde os dois matadores de Denadai trabalhavam como seguranças, na época do crime.

O irmão do empresário Sebastião Pagotto - acusado de ser o mandante do assassinato de Marcelo Denadai - era advogado dos dois. Leonardo seria o financiador dos assassinos e chegou a ser investigado pela Polícia Federal pelo envolvimento no crime.

O delegado André Cunha disse na manhã desta quarta-feira (28) que os trabalhos estão bem adiantados, com diligências para prisões e apreensões, mas que não pode revelar mais detalhes, para não atrapalhar as investigações. Dois suspeitos continuam presos temporariamente e podem ser indiciados.

Cunha não afasta a possibilidade de o assassinato de Léo e de Pejota terem alguma ligação. "Estou convencido de que a morte de Léo está ligada à sua atividade profissional. Mas não vou descartar a possibilidade de ligação com a morte de Pejota, já que o ex-tenente foi segurança dele", disse.

Leonardo foi o quarto envolvido na morte de Denadai a ser executado. Além dele, também foi morto o ex-tenente PM Paulo Jorge dos Santos Ferreira, o Pejota, que era segurança e amigo pessoal de Pagotto e foi assassinado com mais de 30 tiros em dezembro do ano passado, alguns dias após ter sua prisão preventiva suspensa devido a um habeas-corpus.

Em março de 2003, o comerciante Eduardo Victor Vieira, 28, foi morto dentro de seu ferro-velho, localizado em Vila Velha. O local foi invadido por dois homens armados, que anunciaram um assalto. Também foi morto, por engano, o mecânico Carlos Alberto Almeida, 36. Eduardo iria depor contra Pagotto na semana seguinte ao seu assassinato.

Denadai foi morto na noite de 15 de abril de 2002 quando retornava de uma caminhada na Praia da Costa, em Vila velha. Seus executores pretendiam seqüestrá-lo e depois desaparecer com o seu corpo. Mas o advogado percebeu a cilada e tentou correr, quando foi alvejado com três tiros.