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Foto: Bernardo Coutinho
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| Eliza Bartolozzi: subsecretária de Pedagogia
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É difícil para o cidadão capixaba ter acesso às informações sobre como são gastos pelo Estado os recursos provenientes dos tributos que paga. Funcionários de diversos setores são acionados, passa-se em salas diferentes, mas as informações são contraditórias.
Quem estiver interessado em saber, por exemplo, quais os livros serão adquiridos para a educação de seus filhos na rede pública escolar da Secretaria de Estado da Educação (Sedu), deve estar preparado para dispor de tempo, muitos telefonemas e até buscar a informação na sede da instituição. O sucesso da empreitada, no entanto, não é garantido.
A reportagem do Caderno Atrações procurou a Sedu, a partir do começo do mês de julho, para elaborar matérias sobre o cumprimento da Lei nº 10.639, que tornou obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileiras para o ensino fundamental e médio, na rede pública e nas escolas privadas.
O objetivo é fornecer aos leitores a lista dos livros indicados pela Sedu para serem escolhidos pelas escolas e em seguida, adquiridas junto às editoras.
Passados mais de 20 dias - com numerosos telefonemas, entrevistas e consultas à subsecretária de Pedagogia Eliza Bartolozzi Ferreira, à Comissão de Licitação, às gerências de Ensino Fundamental e Médio e à Assessoria de Comunicação - a lista parou nas promessas.
"A lista está anexa ao processo de compra, não está comigo agora, mas vou designar um funcionário para providenciá-la", disse a subsecretária. "ligue daqui a dois dias", marcou. Voltamos a procurar no prazo combinado e desta a vez a informação de Bartolozzi mudou o rumo da apuração. "A lista está na Comissão de Licitação, não tenho mais acesso".
No departamento de licitação, a procura contou com a 'participação' de duas funcionárias, que avisaram estar a lista em posse das gerências de Ensino Fundamental e Médio.
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Foto: Divulgação
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| O livro de Roberto Benjamim é um dos adquiridos
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A professora Rita Nazareth, da Gerência de Ensino Médio, explicou que este processo ainda não chegou ao ensino médio. "A aplicação da lei começa pelo ensino fundamental. Os alunos receberão livros didáticos e os professores vão fazer cursos".
Nazareth encaminhou a reportagem para a Gerência de Ensino Fundamental. A titular do departamento, Adriana Sperandio, explicou que serão adquiridos exemplares do livro didático 'A África está em nós', de autoria do jornalista, jurista, escritor e folclorista pernambucano Roberto Benjamin.
Apesar de conter poucas informações sobre a cultura afro-brasileira no Espírito Santo, o livro é o único preparado para atender a Lei nº 10.639. "Não há livro didático que contenha a história dos afro-brasileiros no Estado", disse.
De posse da lista de livros indicados para compra, Sperandio citou alguns autores capixabas que podem ser utilizados no ensino. "São autores de livros de literatura como Adilson Vilaça, Luís Guilherme Santos Neves, Renato Pacheco".
Adriana contou que a indicação de compra contém cerca de três mil títulos. "São as escolas que decidem quais livros a Sedu vai comprar, mas têm que respeitar o limite mínimo de 5% de títulos de autores capixabas", contou.
Quando solicitada a fornecer uma cópia dos livros indicados, Sperandio alegou ser necessária a protocolação de um ofício endereçado à subsecretária de Pedagogia Eliza Bartolozzi Ferreira.
O assessor de comunicação, no entanto, quando procurado para orientar o procedimento de solicitação por meio de ofício desta lista de livros, disse ser desnecessário. "Não precisa de ofício. Vou falar com a Adriana para fornecer a cópia para você", contou o jornalista Nilo de Mingo.
Mais três dias se passaram e depois de outros desencontros, na manhã desta quinta-feira (29) veio a informação final: "Procurei a Adriana Sperandio para providenciar a lista para vocês, mas ela acha melhor aguardar uma autorização da subsecretária, mas ela só volta na segunda-feira", afirmou o assessor de comunicação.
A reportagem entrou em contato com a subsecretária, que estava em reunião e não pôde atender. "Agora não posso falar com você", disse. Segundo assessores, Bartolozzi está em São Paulo.
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(publicada no dia 13/07/2004)
(publicada no dia 12/07/2004)
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