Entre Linhas - Alerta





Eustáquio Palhares




José Armando Figueiredo Campos em palestra no último almoço do IBEF advertiu para o iminente colapso da infra-estrutura estadual e o comprometimento da retomada do crescimento pelo estrangulamento com o choque da oferta de energia. Não é o caso específico de sua empresa que é auto-suficiente graças a preservação do critério original do projeto que previa a produção da energia própria. Com seus mais de 300 Mw instalados, a siderúrgica pode disponibilizar mais de 100 Mw para complementar a oferta estadual.

Chance

A questão do risco do novo apagão remete às oportunidades já detectadas de investimento em pequenas usinas, termo ou hidrelétricas, plantas na faixa dos R$ 10 milhões que encontram nesse contexto plena viabilidade.

Direta

O debate sobre a questão da infra-estrutura econômica hoje remete necessariamente aos termos do projeto da PPP e o marco regulatório que deve se firmar pela legislação. O Estado não tem antecedentes de cumpridor de contrato. Resta ver que salvaguardas o último "p" desta parceria terá assegurado.

Paradigma

Dois textos lúcidos na imprensa diária denunciam meio que transversalmente a esquizofrenia da nossa organização social de permeio com uma cínica cultura política.Cultivam-se valores, critérios e princípios que a realidade incumbe-se sistematicamente de revogar.

O jornalista José Martinuzzo ofereceu oportuna reflexão sobre o canto de sereia da geração de emprego, não apenas dos 10 milhões prometidos pelo Lula, mas da própria natureza de um novo processo produtivo que se molda com a disponibilidade da tecnologia, cada vez mais liberando mão de obra sem qualquer prejuízo da eficácia. No caso do Brasil, sociedade que dobra a população em 30 anos, essa situação se agrava pelo contexto de uma legislação trabalhista que insiste ignorar os parâmetros racionais da produção.
É muito caro gerar emprego no Brasil. O empresário é obrigado a investir em equipamentos e tecnologias que lhe poupe desses asfixiantes encargos. E ninguém denuncia esse quadro. Fazem-se de avestruz que esconde a cabeça julgando-se camuflada.

Ou seja, o pleno emprego é apenas uma inviabilidade da economia e um atestado de hipocrisia de quem o promete.

Custo

A CST vai investir US$ 1 bilhão na sua expansão, aumentando em 50% sua capacidade de produção de aço líquido. Prevê a oferta de 7,5 mil postos de trabalho no pico da construção, permanecendo 800 como efetivos. O impacto na renda tributária é admirável: R$ 90 milhões anuais só de ICMS. Não há o que contestar da prodigalidade dos seus efeitos.

A Pirelli, vencida a inhaca oportunista que questionou a aquisição do terreno da empresa beneficiando aqui a importação de cobre - o que é muito mais importante que ter a mercadoria meramente transitando pelo Estado por efeito do Fundap -, também vai investir US$ 33 milhões na planta de cabos que vai gerar 80 postos de trabalho.

Custo II

O custo por emprego é de R$ 375 mil na primeira e R$ 412 mil na segunda. Que venham mais. Mas que os pensadores de nossa política econômica (temos?) lembrem-se lá dos velhos manuais, aquelas coisas de incentivar iniciativas que privilegiem o fator de produção mais abundante. Ou seja, se nos falta capital, ta sobrando gente...

Paradigma II

Na seqüência das reflexões lúcidas, o professor José Augusto de Carvalho, dando uma trégua ao seu renitente niilismo, propõe o fim dos vereadores, sugerindo que a representação do povo fosse exercida pertinentemente pelos representantes de associação de moradores.

Tem mais consistência. Com todo o respeito, vereador serve para quê? E, indo além, deputado? Permanece inercialmente o princípio de uma democracia supostamente representativa que não consegue dissimular os sinais de sua falência.

A estatística, enquanto ciência exata, combinada com a tecnologia da informação recoloca a viabilidade da democracia participativa.

Paradigma III

Nas eleições, antes que se abra a primeira urna, as pesquisas antecipam os resultados. Hoje, uma amostragem competentemente estratificada de 600 entrevistas revela a opinião pública da área metropolitana. Ausculta-se a opinião pública de modo muito mais direto e inequívoco.

Bem, antes que João Gualberto, Orrico, Rita Vieira, Pignaton, Celsão e Viviane Chaia se empolguem, a não ser que os valores de tais serviços fossem bem otimizados pela frequência, o próprio ente público poderia dispor de órgãos devidamente estruturados para essas consultas.

Ou, se a tese soar muito radical, porque não massificar plebiscitos que melhor refletem expectativas e opiniões?

Quadro

Área política não é a praia da coluna, mas o buchicho é de viés empresarial. Cristina pode dar um quique da altura do Penedo. Mas Peagá é o seu (dele) candidato preferido à própria sucessão. O que é humanamente compreensível com o take-off atual do Espírito Santo.

De São Francisco, talvez, pudesse se esperar tanto desprendimento em passar a bola cheíssima. E depois do segundo mandato, Senado de novo que ninguém é de ferro.

Direto

Especialista em logística, Martha Ferreira não faz rodeios: o Espírito Santo está prestes a sofrer um apagão na sua logística com a precariedade do Porto de Vitória e da estrutura viária que converge para o porto. Ela é incisiva quando fala que o Porto de Vitória já está esgotado há 10 anos, com a impossibilidade de expandir a retroárea, a calagem restrita e os acessos comprometidos pelo natural adensamento urbano da área metropolitana. Para Martha, intervenções como dragagem, derrocagem ou expansões parciais são "morfina para doente terminal", apenas prolonga o estertor.

Saídas

Nossa decantada expertise em logística portuária, assevera Martha, está indo para as cucuias. Quando se constroem atualmente navios com capacidade para 10.000 containers, o nosso porto é restrito a embarcações de no máximo 300 recipientes desse tipo. A especialista tem um projeto de reestruturação logística que envolve a criação de três rotas viárias longitudinais no sentido Norte Centro, convergindo para Baixo Guandu, Colatina e Barra do Riacho. Ali deve se concentrar o grosso das cargas pesadas, reservando-se a Vitória a movimentação das pequenas cargas e suplys boats. O plano contempla também a relocalização da Ferrovia Centro Atlântica mantendo origem/destino entre Vitória e Rio, mas evitando o traçado das montanhas , altamente oneroso e passando por Ubu, ponto de conexão com o modal rodoviário representado pela BR-262 Por aí se escoaria, como em Barra do Riacho, as exportações de granito.