O prefeito Sérgio Vidigal (PDT) torce para que o governador Paulo Hartung fique fora das eleições no primeiro turno, pelo menos em seu reduto, o município da Serra. Defendendo a candidatura do desconhecido mas competente técnico Audifax Barcelos, Vidigal aposta numa vitória, com a mágica de fazer migrar seus votos para o sucessor.
A preocupação quanto ao apoio de Hartung tem fundamento, uma vez que o prefeito está cercado por adversários que erguem a bandeira governista. Apesar disso, é contraditório Vidigal não considerar o apoio de Hartung no segundo turno. Mesmo se não influenciar a eleição no primeiro turno, o apoio do governador poderá atropelar os planos do prefeito, ainda mais em se tratando de uma região visada pelo palácio Anchieta.
A preocupação inicial do prefeito da Serra é fazer seu candidato chegar ao segundo turno, mas lá estará cercado por adversários históricos que poderão unir forças utilizando o marketing do Anchieta.
O município da Serra tem 204.599 eleitores e 58,18% de sua população poderão votar. Vidigal terá de se aproveitar desse percentual, fazendo os eleitores entenderem que a continuidade estará com Audifax, mas, primeiro de tudo, os eleitores vão querer conhecer o candidato e, mais ainda, suas ações. A confiança creditada a Vidigal pela população da Serra ainda não fez migrar votos para Audifax, o que demonstra que fazer um sucessor é muito mais do que colocar a mão sobre o ombro de alguém.
Enquanto Vidigal gasta tempo na apresentação de seu candidato - o que poderia ter sido feito durante o mandato -, os demais adversários já apontam melhorias em cima dos acertos da administração do prefeito e, sendo assim, largam na frente. As críticas a Vidigal são ainda disparadas num tom de complementação e de observação, isso porque os adversários sabem que a população da Serra aprovou a maior parte dos 8 anos do prefeito.
Vidigal pisa ainda num terreno perigoso quando se discute o apoio do governador, pois, fazendo seu sucessor, o prefeito terá certeza de garantir votos para si mesmo, enquanto que os candidatos governistas terão condições de conseguir votos para Hartung, que já visa 2006. Diria que Vidigal está pisando em ovos quando planeja sua estratégia política, mas não está atirando no escuro, se assim fosse Audifax não teria crescido 12% em apenas 15 dias.
Fragmentos
1 - Em São Paulo virou moda os candidatos se aproveitarem da febre dos internautas, no Orkut, para, de graça, atingir seus eleitores. Por aqui, nenhuma megacomunidade se formou, mas pode ser que a mania pegue logo que começar a propaganda eleitoral no rádio e na TV.
2 - Em Vila Velha, os candidatos a vereador que ficaram insatisfeitos com o apoio do PL a Max Filho (PDT) reclamam nos bastidores, mas não aparecem por nada.
3 - O episódio da retirada das placas de propaganda política do candidato Ledir Porto (PL), em Viana, mostra a falta que faz uma assessoria qualificada. O desgaste poderia ter sido evitado com uma simples orientação.
|