(*) Faltou o asterisque da vã filosofia




Oswaldo Oleari -


Faltou, na coluna anterior, traduzir um asterisque, como diria aquele um deputado temporariamente suspenso da coluna. Foi aquele lance do escritor que disse que "ser feliz virou obrigação" iuiscambau a quatro. Vamos ver se dá pra nosotros entendermos: ora, cacete, se ser feliz virou obrigação, símbolo de istatus e fonte permanente de angústia, carácolis, de que adianta ser feliz? Ah, santa vã filosofia, você se sente obrigado a ser feliz porque ser feliz dá istatus, é uma grife - digamos - mas essa obrigação se torna uma causa permanente de angústia. Ora, vai querer ser feliz assim nos partos que os raia.

Esse povo da vã filosofia tem mania de querer complicar as coisas, nememo? Ora, ser feliz é uma coisa, posar de feliz é outra. É coisa de uorcarrólique, di istressado fingindo-se de istressado. Ser feliz é ser feliz por qualquer pequeno motivo, por quaisquer miudezas. É, no mínimo, não ser infeliz nem posar de infeliz. É quinemqui nosotros aqui andamos pregando. Se não der pra ser feliz, pelo menos batalhe-se para não se ser infeliz. Pois não existe praga pior do que infeliz profissional, de carteirinha.

Centenário de Neruda

Sabemos de nada não. Mas viver é preciso até porque o grande Pablo Neruda já dizia que "morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música (*), quem não encontra graça em si mesmo", acrescentando ainda que "morre lentamente quem passa os dias queixando-se da sua má sorte e da chuva incessante". E se você é desses que não encontram graça nem em si mesmo, vamos com o grande poeta chileno no seu magnífico

Viver
"Morre lentamente quem não viaja,

quem não lê, quem não ouve música, quem não

encontra graça em si mesmo.

Morre lentamente quem destrói o seu

Amor-próprio, quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma em

Escravo do hábito, repetindo todos os

Dias os mesmo trajetos, quem não muda

De marca, não se arrisca a vestir uma

Nova cor ou não conversa com quem não

Conhece.

Morre lentamente quem faz da televisão

O seu guru.

Morre lentamente quem evita uma paixão,

Quem prefere o negro sobre o branco e

Os pontos sobre os "is" em detrimento

De um redemoinho de emoções justamente

As que resgatam o brilho dos olhos,

Sorrisos dos bocejos, corações aos

Tropeços e sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa

Quando está infeliz com o seu trabalho,

quem não arrisca o certo pelo incerto

para ir atrás de um sonho, quem não se

permite pelo menos uma vez na vida

fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente, quem passa os dias

Queixando-se da sua má sorte ou da

Chuva incessante.

Morre lentamente, quem abandona um

Projeto antes de iniciá-lo, não

Pergunta sobre um assunto que

Desconhece ou não responde quando lhe

Indagam sobre algo que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,

Recordando sempre que ESTAR VIVO EXIGE

UM ESFORÇO MUITO MAIOR QUE O SIMPLES

FATO DE RESPIRAR. Somente a perseverança

Fará com que conquistemos um estágio

Esplêndido de felicidade."

O destaque em caixa alta respeita o texto do poeta Pablo Neruda. Ao imortal Neruda, gracias pelo seu texto eternamente vivo.

(*) É por isso que lembramos a todos que atendam às palavras do poeta e ouçam boa música no "Domingo Brasil" com Tarcísio Faustini - domingos, 10 da manhã, Universitária FM, 104.7; o "Clube da Boa Música" com a Famiglia Oleari às segundas de 22 horas à meia noite também na 104.7; "O Som do Jazz" com Marien Calixte, às segundas às 20 horas. Para não se falar no "Terra Brasilis" com Andersen Dourado diariamente de 8h30 às 11 da manhã, também na 104.7. O poeta sabia das coisas.

Moleza

Pagar impostos, tributos, taxas, alíquotas e o cacete a quatro não é das melhores coisas da vida. Ainda mais que nosotros, os da brava gente brasileira, somos atochados de impostos até o nabo. O que temos a fazer, nós, os do povaréu em geral, é continuar chiando para baixar a carga tributária mais indecente do planetinha de josta. Mas, há administradores públicos que, pelo menos, tentam vaselinar o contribuinte pra ele sentir menos a dor do duro imposto entrando pelo seu - seu, dele contribuinte: seu bolso, seu caixa, seu saldo, é claro. Se não explicar direitim a Bela Morena Manaíra manda deletar.

É o que manda dizer o Renato Moreira, da secretaria de Comunicação Social da Prefeitura de Vitória, ao avisar que neguim - branquim e mulatim, também - vai poder pagar IPTU, ITBI, ISS e débitos da Dívida Ativa através da infernete a partir da próxima 6exta-feira, dia 30. A Prefeitura acaba de criar no Vitória On Line um sistema "que permite ao usuário, além de gerar o boleto, fazer o pagamento diretamente no Bradesco". A chefe de desenvolvimento do Núcleo de Gestão de Tecnologia de Informação (NGTI) da Prefeitura de Vitória, Claudinete Vicente Borges, informa que o fulano não vai precisar mais imprimir o boleto para efetuar o pagamento nos bancos conveniados ou caixas eletrônicos. A operação ficará completa direto no romibanquingue do Bradesco. É isso daí, gentem: um pouco de conforto, sem o qual as virtudes são impossíveis, já dizia o nosso preclaro São Tomás de Aquino, duiurimembar?

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