A distância da terrinha traz essa nostalgia das festas caipiras, juninas ou julinas, que ainda imperam por esses "brasis". Festa dos três santos mais 'brasileiros' - Santo Antônio, que anda meio esquecido, apesar de ser o santo de achar coisas perdidas. São João da capelinha de melão, e São Pedro, o senhor das chaves.
Festas típicas de nossa cultura, morrem aos poucos a cada ano, embora os colégios e as associações de bairro e de rua ainda se preocupem em preservar. Uma tradição que os imigrantes não trouxeram para a nova pátria. No começo do ano tem sempre carnaval acontecendo em algum lugar, é coisa nossa.
Mas festa junina, não ouço nem vejo qualquer referência. Mesmo as igrejas, que por muitos anos mantiveram essa tradição no Brasil, aqui não se preocupam com tais futilidades. O sete de setembro também é sempre lembrado, com comemorações aqui e ali, a data nunca passa despercebida. Mas cadê nossas festas juninas?
Convenhamos, muitas dessas festividades se tornaram ameaças para a vida moderna, como os balões. Imaginemos balões bordando os céus do aeroporto de Miami, onde desce um avião a cada minuto. Sem falar nos fios elétricos, ou na vegetação cuidadosamente preservada do Everglades. E onde, nos dias de hoje, ainda se poderia acender uma boa fogueira?
Apareceria logo o corpo de bombeiros e a polícia, e aplicariam uma boa multa pelo crime de pôr em risco a segurança pública. Onde, então, assar uma espiga de milho verde e uma batata doce? Como pular a fogueira vestindo as apertadas calças jeans que a moda exige?
Julho bate à porta, lembrando que o ano chegou ao meio. Gastamos metade de 2004 e para a maioria, tudo corre na mesma. As promessas de ano novo envelheceram em seis meses, engolfadas numa realidade que impiedosamente se impõe. Nem lembramos mais das intenções rabiscadas em folhas de papel que também não sabemos onde foram parar. .
Mas fica um consolo. Se as boas intenções não se realizaram, as tragédias sempre anunciadas também não. Continuamos vivendo, nós que vivos estamos, armazenando esperanças para o resto do ano. Que daqui a seis meses vão estar tão apagadas como cinza de fogueira.
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