Vitória (ES), edição de 30 de julho de 2004
 
Prefeitura da Serra beneficia CST com
obra viária no valor de R$ 6 milhões



Manaíra Medeiros


Os contribuintes da Serra vão financiar a construção de uma Avenida Industrial para atender à Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST). A obra começa na próxima terça-feira (3), e visa a descongestionar o trânsito gerado pela expansão da produção da empresa, que vai passar de 5 para 7,5 milhões de toneladas anuais. A maior parte dos investimentos - no mínimo R$ 4 milhões - é da prefeitura da Serra. A CST, causadora do problema, não informa o quanto vai aplicar, mas o valor não deve passar dos R$ 2 milhões. O convênio para início das obras será assinado entre o prefeito Sérgio Vidigal (foto)e o presidente da empresa, José Armando Figueiredo.

A Avenida vai interligar a CST à BR-101, passando pela Rodovia ES 010. Na primeira fase do projeto - prevista para terminar em seis meses -, serão construídos dois trechos: um de 1,3 km, que vai ligar a empresa a ES 010, e outro de 700 metros, de Jardim Limoeiro a BR-101. Para isso, serão desapropriados 75 imóveis, compreendendo uma área de 50 mil metros quadrados, a um custo de R$ 2 milhões, a ser bancado pela prefeitura. A construção da avenida, no valor de R$ 4 milhões, será custeada - "em parte" - pela CST, mas quase a totalidade dos investimentos será paga com o dinheiro do contribuinte.

A obra tem origem no portão norte da empresa, em Cidade Continental, e engloba quatro faixas de rolamento, canteiro central, ciclovia e calçadas, numa plataforma de 35 metros de largura. Dois contornos nas cabeceiras da avenida serão construídos para permitir a sua inserção à ES 010 e ao tráfego doméstico junto ao Portão Norte da CST. O tráfego da nova avenida vai ser pela malha da ES 010 até a Estação de Tratamento de Água da Cesan, na Avenida Guarapari, em Jardim Limoeiro.

A segunda fase do projeto compreende a ligação da Avenida Guarapari, em Jardim Limoeiro, à BR 101, e será feita com a construção de mais 700 metros de avenida com uma plataforma de 15 metros de largura. Este trecho será duplicado, posteriormente, formando um binário, com vias de tráfego em sentidos únicos.

O coordenador do projeto é o engenheiro da prefeitura, Mário Vervloet Aguirre. Segundo ele, a obra é necessária para atender a demanda da empresa, que projetou um Laminador de Tiras a Quente e está ampliando a usina. Os investimentos anunciados para a expansão são de U$S 1 bilhão (600 mil próprios).

E não só a mudança do trajeto será feita, mas também a recuperação das avenidas Norte-Sul - iniciadas há 60 dias - e Brigadeiro Eduardo Gomes, por onde atualmente é feito o transporte de cargas de maior tonelagem destinadas à CST, Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), e portos de Tubarão e de Praia Mole. Ao todo, a prefeitura pretende investir em uma área de 10 milhões de metros quadrados para atender estas empresas, próximo aos bairros Continental e Novo Horizonte. Tal área representa quase o dobro de Civit I e II, que têm, juntos, 6 milhões de metros quadrados.

O projeto é ainda mais extenso. A Avenida Industrial vai compreender 6 km, cortando toda a região industrial da Serra. Futuramente, vai cortar a ES 010, para desembocar em Laranjeiras, na Altura do Hospital Dório Silva, onde foi criado um acesso natural à BR 101 com a Avenida Eudes Scherrer de Souza (Avenida Civit), que será recuperada e adequada ao novo tráfego, conforme informou a prefeitura. De lá, a Avenida passará pelo Civit II, próximo ao Civit I e desembocará na BR 101 próximo ao Autódromo BKR no bairro Taquara. Os valores para a execução final da obra não foram revelados.

A expansão da CST vai construir um terceiro alto-forno; uma nova coqueria; um terceiro convertedor; a terceira máquina de lingotamento contínuo; um segundo desgaseificador a vácuo-RH; um novo sistema de injeção de finos de carvão; e fábricas de Oxigênio (5 e 6).

As fábricas permitirão o aumento de produção de placas e bobinas de aço de 5 para 7,5 milhões de toneladas anuais. Mas na realidade poderão ser produzidos de 7,8 a 8,4 milhões de toneladas/ano com os novos empreendimentos. Com o projeto, a poluição na Grande Vitória vai aumentar em 20%. Hoje, a empresa e a Vale são responsáveis por lançar 264 toneladas de 56 tipos diferentes de poluentes por dia na atmosfera, dia e noite. Destes, 28 são cancerígenos, altamente nocivos, e causam doenças respiratórias e alérgicas, além de deprimirem as defesas do organismo às doenças.

Para economizar, a empresa pediu e recebeu autorização do governo do Estado, no inicio da década de 90, para não construir a unidade de dessulfuração para os alto-fornos um e dois. Faz parte das condicionantes impostas pela Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema), no total de 59, que a empresa instale unidades de dessulfuração e outros equipamentos de controle de poluição para as fábricas antigas. A nova fábrica, por exigência do fabricante, já traz acoplada uma usina deste tipo.

O convênio para a autorização das obras será assinado entre o prefeito Sérgio Vidigal e o presidente da siderúrgica, José Armando Figueiredo Campos, na próxima terça-feira (3), às 17h.