O aumento de gás carbono emitido por atividades humanas está comprometendo o equilíbrio dos mares, gerando um aquecimento da terra. Este é responsável por causar inundações nas áreas litorâneas, queimadas, escassez das espécies marinhas, além de inúmeros prejuízos. Segundo Renato David Ghisolfi, oceonógrafo físico da Ufes, é preciso ficar alerta.
De acordo com um estudo publicado na revista "Science", 118 bilhões de toneladas de carbono provenientes da queima de combustíveis fósseis, como por exemplo, o petróleo e a fabricação de cimento, já foram absorvidos pelos oceanos. Os pesquisadores apontam que um terço da capacidade dos oceanos já foi utilizada, causando uma saturação, que pode ser o principal responsável pelo efeito estufa.
A difusão desse gás no oceano faz parte do processo que alimenta organismos marinhos, e deve ocorrer. O problema está na quantidade. Apesar de ter capacidade para processar resíduos, o excesso de gás que deveria acabar no fundo do mar, misturado aos sedimentos, torna o oceano ácido, prejudicando a formação do esqueleto calcário de animais marinhos como o plâncton.
O professor da Universidade Federal do Espírito Santo e oceanógrafo físico, Renato David Ghisolfi, afirmou que estudos nesse sentido apontam inúmeros problemas causados pela saturação de gás carbônico no mar. Ele alerta que este gás, apenas em equilíbrio com a água, é benéfico, servindo como fonte de reprodução para organismos marinhos, como o fitoplancton.
"O mar é responsável por absorver esse CO2. Organismos como o fitoplancton se alimentam da energia do sol e de CO2 para sua reprodução. Essa substância fica dissolvida na água do mar e é consumida por ele. Se a quantidade de gás estiver em equilíbrio químico com a água, não há problema, mas se o nível desse gás aumentar drasticamente, pode causar um desequilíbrio que poderá gerar não só os problemas citados no estudo americano, mas também outros, ainda imprevisíveis", ressaltou.
Renato explicou que o efeito estufa não é algo maléfico como muitos acreditam, e fez questão de frisar: "em equilíbrio, é o efeito estufa que impede que a terra esfrie. Caso contrário, causa sérios danos ao planeta".
O aumento de CO2 aumenta também o número de mini estufas e é ai que está um dos problemas. Segundo Renato, essas mini estufas captam radiação e mandam de volta para terra, deixando o planeta ainda mais aquecido.
O oceanógrafo explicou que o PH médio para manter o mar saudável é de 8.2, se este estiver em até 7.0, ele é considerado ácido. É essa acidez que torna o meio marinho inóspito para muitos organismos. Mas o maior problema desse aumento de CO2 ainda não podem ser previstos.
Muitas hipóteses são levantadas quanto às possíveis conseqüências de excesso de CO2, uma delas é a inundação, que pode devastar a costa litorânea. Outra hipótese é o uso de água subterrânea, que deixa o continente mais leve e pode elevar o continente em medidas desconhecidas que podem ou não causar desastres.
"As conseqüências são imprevisíveis. Pouco se conhece sobre os oceanos e a sociedade não se importa com resultados em longo prazo. Para diminuir essa emissão de CO2 para um nível benéfico, é necessário não só cobrar das grandes empresas que usem filtros, mas também que se responsabilizem em investir em tecnologias menos degradantes, além de combater na sociedade a mentalidade do desperdiço de energia, de água e de todas as atividades que a sociedade não quer abrir mão, mas que devem ser usadas com mais responsabilidade", alertou.
Segundo ele, no País ainda não são sentidos os efeitos com a mesma intensidade que na Europa, por exemplo. "Aquela velha frase que diz que os resultados só vão aparecer a milhares de anos, está cada vez mais próxima, e já podemos notar, por exemplo, um verão escaldante na Europa na última temporada, além do duro inverno no hemisfério sul, conseqüência desse processo".
Em meio a este desequilíbrio, os países ricos pedem para que o Brasil controle sua emissão de CO2, enquanto o Brasil alega que isso só irá acontecer quando atingirem o mesmo nível de desenvolvimento que os países ricos. "Mas para evitar que a situação se agrave, é necessário acreditar que a soma de todos faz a diferença", destacou.
Renato explicou ainda que com o tempo irá se conhecer mais sobre a dinâmica do oceano e que muitas conseqüências ainda precisam ser estudadas, e em longo prazo, mas lembrou que a prevenção ainda é o melhor caminho, já que tais abusos contra a natureza podem despertar de uma hora pra outra conseqüências jamais previstas.
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