Vitória (ES), edição de 30 de junho de 2004
 
Pistoleiros mataram mais uma
testemunha do assassinato



Renata Oliveira



O comerciante Leonardo Maciel Amorim, 28, assassinado no início da noite desta terça-feira (29), em Jardim América, Cariacica, era testemunha importante do caso Denadai e também estava envolvido no inquérito que apura o homicídio do advogado. A afirmação é da irmã do advogado, Aparecida Denadai, que teme a inércia da polícia diante da seqüência de mortes dos envolvidos.

"O inquérito deve estar parado em um escaninho da polícia, que deve estar esperando a quinta vítima para começar a agir", disse Aparecida, que lamenta a libertação dos acusados da morte do irmão.

A advogada disse ainda que os bandidos que assassinaram Denadai ainda podem cometer outros crimes. "Outro dia, quando eu saía de uma reunião entre o PP e o PL, um carro parou diante de mim, mesmo estando acompanhada de dois policiais federais que fazem a minha segurança. O motorista abaixou o vidro, retirou os óculos e me fitou nos olhos, sem dizer nenhuma palavra".

Ela reconheceu imediatamente a figura dentro do veículo. Era o empresário Sebastião Pagotto.

Foram indiciados no caso o empresário Sebastião de Souza Pagotto, apontado como mandante do crime, o policial militar Dalberto Antunes Pereira, a mulher dele, a major PM Fabrízia Gomes da Cunha e o empresário Leandro Scardua Mageski.

Com a morte de Leonardo, sobe para quatro o número de mortos de envolvidos na morte de Denadai. O ex-tenente PM Paulo Jorge dos Santos Ferreira, que era segurança e amigo pessoal de Pagotto, foi assassinato em dezembro do ano passado, alguns dias após ter sua prisão preventiva suspensa também devido a um habeas-corpus.

Em março de 2003, o comerciante Eduardo Victor Vieira,28, foi morto dentro de seu ferro-velho, localizado em Vila Velha. O local foi invadido por dois homens armados, que anunciaram um assalto. Também foi morto o mecânico Carlos Alberto Almeida, 36. Eduardo iria depor contra Pagotto na semana seguinte de seu assassinato.

Leonardo era sócio de um caça-níqueis, onde os dois matadores de Denadai trabalhavam como seguranças, na época do crime. O irmão de Pagotto era advogado dos dois. Leonardo seria o financiador dos assassinos. O comerciante estava sendo investigado pela Polícia Federal pelo envolvimento no crime.

Ele foi morto por volta das 18h40 em uma avenida do bairro. Os dois assassinos estavam em um veículo Gol preto e fecharam o Corolla placa MTA-1302, conduzido pelo comerciante. Um deles desceu do carro com a arma e disparou vários tiros contra a vítima.

Denadai foi morto na noite de 15 de abril de 2002 quando retornava de uma caminhada na Praia da Costa, em Vila velha. Seus executores pretendiam seqüestrá-lo e depois desaparecer com o seu corpo. Mas o advogado percebeu a cilada e tentou correr, quando foi alvejado com três tiros.