Vitória (ES), edição de 22 de março de 2004
 
Plantão farmacêutico força a
demissão de mil até junho



Cristina Moura


Até os próximos três meses, o mercado farmacêutico do Estado do Espírito Santo vai demitir mil funcionários. A obrigação do plantão do farmacêutico prevista pelo Ministério da Saúde e em vigor desde o último dia primeiro já está desenhando este triste painel - que só faz crescer, ainda mais, o nível de desemprego.

Para o presidente da Sincofaes (Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos do Estado), Henrique Ângelo Denicolli, a situação é preocupante e tende a aumentar de maneira assustadora, principalmente se for levada em consideração "a falta de capital dos comerciantes". "A mão-de-obra vai cair, com certeza", afirma.

A expectativa lamentável para um universo tão restrito não é de se estranhar. É hábito, até, acostumar-se com a falta de responsabilidade de vendedores e dos próprios farmacêuticos. São muitos os profissionais obrigados pelo Conselho da categoria ao plantão no estabelecimento comercial, mas não o fazem.

Muitos são também os que "assinam", isto é, respondem por várias farmácias no Estado - até na própria cidade - ferindo um dos princípios da classe, que admite apenas uma assinatura privada e uma pública. Sobre a primeira, parece muito fácil driblar o Conselho Regional de Farmácia.

É que, em municípios do interior, a carência de farmacêuticos devidamente regulamentados é enorme, fator que atrai os profissionais, com o intuito de "ganhar mais dinheiro". A responsabilidade do farmacêutico para instituições públicas, preferencialmente hospitais, costuma ser fiscalizada, mas, ainda assim, continua sendo um obstáculo para o mercado. Ainda há brechas.

"Agora com a obrigatoriedade do plantão do farmacêutico, quero só ver o que vai acontecer. Difícil. É um quadro muito difícil. Vai levar um tempo, ainda, para todo mundo se adaptar", desafia Denicolli, admitindo que, nesta segunda-feira (22), a maioria das farmácias ainda está descumprindo a lei.

Outra perspectiva desastrosa para o comércio varejista de medicamentos é o preço dos produtos - que devem aumentar em torno de 6%. Até o próximo dia 31, os medicamentos sob o controle da CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos) sofrerão o reajuste - que vai valer até 2005. No caso de desobediência, o comerciante pode tomar processos administrativos e multas que variam de R$ 212,00 a R$ 3 milhões.