Vitória (ES), edição de 22 de março de 2004
 
Sindhes: Unimed quer monopolizar
o atendimento médico no ES



Priscilla Coelho



A tentativa da Unimed Vitória de monopolizar o atendimento médico no Espírito Santo através do Centro Integrado de Atenção à Saúde (Cias), conforme acusação do Sindicato dos Estabelecimentos de Saúde do Espírito Santo, tem provocado reclamações.

O fato pode ser comprovado com base nas declarações do consultor econômico do Sindhes, Benoni Antônio Santos. "Com a abertura do Cias, em junho do ano passado, além de a Unimed praticar tabelas defasadas, coagiu os hospitais para fazer com que seus pacientes fossem atendidos somente no Centro Integrado. Além disto ser ilegal, a Unimed está tirando a liberdade de escolha dos pacientes e dos demais hospitais da Grande Vitória", explica Benoni.

Segundo ele, desde quando a nova diretoria da Unimed Vitória foi eleita o Sindicato dos Estabelecimentos de Saúde do Estado do Espírito Santo (Sindhes) não conseguiu mais negociar com a empresa. "Eles nos tratam com descaso e se demonstram intransigentes", acrescenta o consultor.

De acordo com Benoni, isto teve uma exceção, que foi quando "o presidente da empresa, Alexandre Rushi, veio até o sindicato para conversar, mas mesmo assim foi trazido por um dirigente de um outro hospital".

Por esses motivos dez dirigentes de hospitais da Grande Vitória, representados pelo Sindhes, denunciaram a Unimed Vitória ao Ministério Público e ao Procon na última quarta-feira (17) através de um dossiê de 310 páginas. A intenção é que estes órgãos intermedeiem uma negociação entre as instituições e a Unimed a fim de que a empresa atualize a tabela utilizada para pagamento de materiais, medicamentos, pacotes e gasoterapia.

De acordo com o consultor econômico do Sindhes, desde junho de 2003 a entidade tenta, sem sucesso, negociar com a Unimed Vitória. Mas até agora nada foi resolvido. Benoni faz questão de ressaltar que "a Unimed é o único comprador que não negocia com o sindicato".

Além da atualização dessa tabela, que está defasada em 30% em relação aos demais compradores, o sindicato quer que a empresa volte a pagar o Brasíndice (tabela referencial no Brasil) sem reduzir itens.

No entender do sindicato, "a Unimed Vitória promoveu nos últimos anos, de forma unilateral a arbitrária, a redução nos preços de vários itens hospitalares, chegando ao absurdo de pagar medicamentos com 30% de desconto no Brasíndice. E, ainda, retirou desta tabela de preços itens de consumo relevantes, como anestésicos, soros e outros".

O Sindhes denuncia também que a Unimed criou uma tabela própria para remuneração de materiais descartáveis desde 1998. "Queremos que ela adote a tabela que é usada pelos demais planos", reivindica Benoni.

Ele lembra ainda que toda essa situação pode ser comprovada no dossiê entregue ao MP, no qual estão relacionados estudos técnicos e levantamentos de custos realizados, inclusive, pela mesma empresa de consultoria atualmente contratada pela Unimed Vitória, a Planiza.