O deputado federal Renato Casagrande (PSB) mostrou, em entrevista ao jornal "A Tribuna", no último sábado (20), que o ponto de discordância entre PSB e o governador Paulo Hartung (PSB) é a questão da aliança com o grupo do prefeito Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB). Mais inclinado a compor com partidos que não se aglutinam em torno do palácio Anchieta, como PT, PPS e PL, Casagrande criticou a aliança histórica do governador com o prefeito Luiz Paulo.
Isso mostra por que Luiz Paulo torceu o nariz quando o PSB resolveu conversar primeiro com o PPS, deixando os tucanos por último, como se já soubesse da disputa caseira pela qual irá passar o candidato do governo.
Hartung já apontou o vice-governador Lelo Coimbra (PSB) como favorito para sair candidato a prefeito da Capital pelos socialistas, relembrando que, para isso, houve um acordo com a direção do partido, do qual Casagrande teve conhecimento. Casagrande, por outro lado, não abre mão do lançamento da própria candidatura e isso cria um ponto de divergência no PSB.
Considerado "dono" do partido, Casagrande tem se mostrado forte diante das lideranças partidárias. No entanto, o peso do governador Paulo Hartung (PSB) influencia, e muito, o processo de escolha de candidato no PSB. Casagrande já afirmou, por inúmeras vezes, que o PSB vai ter candidato em Vitória e essa decisão influencia o movimento que o governador irá fazer para compor com o prefeito de Vitória.
Sendo assim, Casagrande tem se mostrado irredutível, embora não veja razão para Hartung deixar o partido, como o governador já ameaçou. Na verdade, isso pode estar sendo esperado, uma vez que a ideologia partidária não atinge a linguagem do palácio Anchieta. O PSB só possui uma secretaria no governo estadual, a do Meio Ambiente, com Fernando Schettino, além do vice-governador, que é alma gêmea de Hartung e que o segue em todos os acordos.
Sendo assim, Casagrande quer o PSB com decisões próprias, dentro da ideologia partidária, e não dependendo das ordens do Anchieta como vem ocorrendo com outras siglas que batem continência ao governador. Casagrande também não deseja composição partidária com nomes de destaque de outros partidos. A ele interessa alianças, em nível estadual, com partidos que tenham um projeto. Nada de mandos e desmandos, mas Casagrande corre o risco de poder ser apontado como a causa da saída do governador do PSB, assim como do vice-governador. Para quem estava esperando uma deixa, seria essa a hora e, dessa forma, Casagrande continuaria sendo o "dono" do PSB.
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