Vitória (ES), edição de 22 de março de 2004
 
Postos de combustíveis enfrentam 'inimigos' tributários



Cristina Moura

O inchaço no mercado de postos de combustíveis é o grande inimigo do setor. Os proprietários têm reclamado que a alta carga tributária, de 54% - uma das mais altas do País - é sorrateira com o setor. O conjunto de prejuízos, ao mesmo tempo, vem causando a mortalidade dos postos nas estradas.

No interior do Estado, o caso é bem mais difícil. Não há possibilidade de expansão. A margem de ganho líquida chega a 3,5% e o mercado tem caído cada vez mais. Odilson de Sousa Barbosa, um dos diretores do Sindipostos (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo-ES), afirma que "a situação é caótica e que não chega nem perto da realidade visual".

"O que o consumidor vê, por fora, a grandiosidade do empreendimento, não dá para comparar com o que é real. É um investimento altíssimo, mas que não dá o lucro esperado. Como se pode trabalhar com uma taxa de juros tão elevada?", questionou.

Além da baixa margem de lucro explicada por Odilson, a clientela se espalha ou se divide com as opções. No dizer popularesco, é praticamente "um posto em cada esquina" - o que fere, ainda, o código de postura de cada município, que acaba contribuindo para riscos ambientais.

Dos 550 postos do Estado, 35% estão localizados na Grande Vitória - que tem ofertado um alto número de terrenos caros - por que bem localizados - para o tipo de negócio. Em Vila Velha, por exemplo, o último inaugurado, de bandeira da marca Ipiranga, mas particular, girou em torno de R$ 2 milhões iniciais.

   

Este mês será um dos piores, também, para que o segmento se recupere da safra de inadimplentes. São os conhecidos "cheques sem fundos" que atrasam a vida dos empresários de postos e atrapalham o circuito da mão-de-obra, gerando inclusive, processos previdenciários.

Em Vitória, é o setor mais atingido pela inadimplência dos consumidores, mas, antes, embasado por uma rede de sonegação fiscal. No último dia 4, começou a ser desarticulada a máfia brasileira dos combustíveis. No Estado, foi preso o empresário capixaba Marcelo Linhares de Matos, proprietário do posto Avenida, em Cachoeiro de Itapemirim.

Por enquanto, ele é o único que foi descoberto como integrante da teia "iniciada" pela empresa fluminense Chebabe Distribuidora de Petróleo, de propriedade de Carlos Chebabe. A ANP (Agência Nacional de Petróleo) conseguiu apurar um nível de sonegação de R$ 3,6 milhões. Empresários, fiscais públicos, policiais e diversos profissionais liberais - entre atravessadores e distribuidores de diversas partes do País - estão sendo investigados.