O promotor de Justiça e professor Marcelo Zenkner vai ingressar ainda nesta semana com uma interpelação judicial contra o coordenador do Grupo de Repressão ao Crime Organizado (GRCO), Gilberto Toscano, para que ele esclareça as afirmações que fez por meio da imprensa, na última quinta-feira (25), de que são levianas as pessoas que criticam a atuação do Ministério Público no caso Alexandre Martins e de que o promotor Zenkner desconhece o assunto.
O professor estranhou a reação do colega às declarações feitas por ele quarta-feira passada (24), durante evento realizado pela FDV (Faculdades de Vitória), em homenagem ao juiz assassinado há um ano. "Um brasileiro que critica o governo federal não está criticando o Brasil. Da mesma forma, um promotor que critica a condução administrativa do Ministério Público não está criticando a instituição, que se situa muito acima de qualquer pessoa", afirmou Marcelo Zenkner.
O promotor reafirmou que continua "estranhando a pouca vontade da administração superior do Ministério Público em relação ao inquérito que apura a identidade dos mandantes do bárbaro crime que vitimou o juiz Alexandre Martins". Entretanto, ele ressalta que as críticas se referem apenas a este aspecto, e que não citou nominalmente nenhum colega.
Marcelo explicou que a orientação do Ministério Público em todo o Brasil é no sentido de que os promotores de Justiça "não só podem como devem colaborar com a polícia" na coleta de provas durante o inquérito policial. "Se o crime é complexo, complexas são as investigações, e por isso os esforços precisam ser somados, mesmo estando à frente do inquérito a doutora Fabiana Maioral, uma das mais destacadas delegadas do Espírito Santo", frisou.
Para Zenkner, o coordenador do Grupo de Repressão ao Crime Organizado (GRCO) se contradisse durante a entrevista. "Ele afirmou que o GRCO investigou acerca dos executores e dos intermediários, mas que a investigação acerca dos mandantes cabe apenas à Polícia. Se for assim, o GRCO perde sua razão de ser, na essência".
Ainda de acordo com o promotor, sempre houve a designação de um promotor de Justiça para acompanhar os inquéritos relacionados a outros crimes de grande repercussão praticados no Estado, como os casos João Nato, Antário Filho e Isabela Negri Cassani. "Infelizmente não se chegou aos mandantes, mas o Ministério Público atuou devidamente e não foi criticado".
|