Vitória (ES), edição de 23 de março de 2004
 
Pai de juiz assassinado reclama
da Polícia Civil e do MPE



José Maria Batista



Na véspera do aniversário de um ano da morte de seu filho Alexandre Martins de Castro Filho, o advogado, professor e coronel reformado da PMRJ Alexandre Martins de Castro faz críticas ao trabalho do Ministério Público Estadual e à Polícia Civil.

Segundo ele, já se passou muito tempo e vários delegados foram trocados na tentativa de identificar os mandantes do assassinato de seu filho, morto a tiros em 24 de março do ano passado, quando chegava para uma sessão de ginástica na Academia Belle Force, na Praia de Itapoã, em Vila Velha.

Para Alexandre, o Ministério Público foi e está sendo omisso no crime que vitimou seu filho e deveria ter uma atuação mais marcante no caso.

Por sua vez, o procurador geral de Justiça, José Maria Rodrigues de Oliveira, preferiu não comentar as declarações do pai do juiz assassinado. José Maria aproveitou para informar que estavam sendo adotadas providências para proteção da promotora Sueli Lima e Silva, que está ameaçada. A promotora trabalhou nas investigações em torno do assassinato do juiz e também na Auditoria da Polícia Militar e estaria sendo ameaçada de morte por policiais militares envolvidos em casos nos quais ela trabalhou.

Entre os problemas enfrentados pela promotora enquanto esteve na Auditoria Militar, consta o não cumprimento de pena por parte de militares denunciados ou pronunciados pelo Ministério Público.

Ela cita o sargento Heber Valêncio, denunciado como um dos intermediadores do assassinato do juiz Alexandre Martins que, mesmo tendo cometido um assassinato e não ter cumprido a pena, mudou de patente.

Sueli Lima e Silva informou ainda que existe uma espécie de corporativismo quando se trata de investigar policiais. Segundo a promotora, ainda há diligências a serem feitas no processo que apura o assassinato do juiz Alexandre Martins.

A promotora denunciou também que um PM recebeu a missão de matá-la e esmagar a cabeça dela como prêmio. A proposta foi feita por quatro policiais que estão sendo investigados e estão presos no quartel da Polícia Militar, em Maruípe, Vitória.

O advogado Alexandre Martins concorda com a tese do secretário de Segurança, Rodney Rocha Miranda, que não admite a hipótese de latrocínio para o caso da morte do juiz Alexandre. Para ele, considerar o caso como latrocínio é uma leviandade fantasiosa. Em momento algum ele admite que o filho tenha sido executado durante um assalto.

No programa Bom Dia Espírito Santo desta terça-feira (23), o advogado Alexandre Martins afirmou que "o crime de latrocínio é uma leviandade que foi levantada. O crime de assalto seguido de morte é mais grave que o de homicídio. Por que o advogado quer que o cliente dele seja julgado por um crime mais grave? Porque o latrocínio não tem mandante", disse.

No entender do advogado, o maior erro cometido durante a investigação policial foi a sucessiva troca de delegados. Além de tornar o processo de apuração lento, as constantes mudanças prejudicaram os rumos das investigações. Cada delegado que assumiu a presidência do inquérito queria começar tudo de novo, reinquirir todos os envolvidos e seguir linha própria de investigação.

No entender do advogado, não houve uma ação seqüencial que pudesse levar o chamado segundo inquérito aos intermediários e mandantes com rapidez e precisão. Apesar dessas críticas, existe a expectativa de que nesta quarta-feira alguma coisa em torno do trabalho policial desenvolvido até agora seja revelada. Apesar de o inquérito estar sob segredo de Justiça, o secretário de Segurança prometeu divulgar o que já foi feito até agora em torno do crime.

Atualmente, o inquérito está sob a presidência da delegada Fabiana Maioral, que substituiu o delegado André Luiz. Nos meios policiais comenta-se que quando o delegado André Luiz decidiu conduzir as investigações sobre a morte do juiz, tendo como móvel do crime o latrocínio, desagradou o secretário de Segurança, que determinou a sua substituição.

Tudo por conta de alguns exames que teriam sido feitos com detectores de mentira vindos em segredo do Rio Grande do Sul e que não revelaram, exatamente, o que algumas autoridades queriam e precisavam ouvir. De todo modo, o assunto é tratado sob o maior sigilo e ninguém sequer faz comentários sobre o caso.