O uso de venenos agrícolas nas plantações de café está contaminando os córregos e rios do Espírito Santo. Tal contaminação foi confirmada, por exemplo, na pesquisa de Mestrado defendida pelo engenheiro agrônomo Gonçalo Tadeu Engelhardt, na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).
O professor pesquisou a Microbacia Goldner, no município de Colatina, que pertence a sub-bacia hidrográfica do rio Baunilha, da bacia hidrográfica do Rio Doce. Estudou ainda mais quatro propriedades dos municípios de Marilândia, São Domingos do Norte, São Gabriel da Palha e Vila Valério, com o objetivo de avaliar a qualidade das águas, a partir da aplicação do agrotóxico Thiodan CE (endosulfan), usado no controle da Broca do Fruto do Cafeeiro.
As amostragens coletadas revelaram índices de resíduos até 58% superiores ao estabelecido na Resolução Conama n.20/86, provando que a dose utilizada - normalmente de 1,5 a 2 L/ha - é causadora de contaminação significativa e preocupante nas águas da microbacia, que ficam tomadas por substâncias altamente cancerígenas e perigosas, prejudiciais ao consumo humano e animal.
De acordo com Gonçalo Tadeu, as constatações de contaminação foram encontradas não só em lavouras de maior declividade, mais propícias a gerar impactos ambientais, como nas plantações de baixo declínio também. E que provavelmente tenham ocorrido outros picos de concentração de venenos na água, ainda maiores dos apontados nas amostras coletadas.
Destacou ainda que essa realidade, apesar de local, reflete a situação de todo o Estado, hoje ocupado em 20% por essas plantações, que recebem, além do Thiodan, doses carregadas de diversos tipos de agrotóxicos, como o Roundap e o Tordon.
"Ainda há muito o que se percorrer para que o uso de venenos nas plantações de café não agrida ao meio ambiente no Espírito Santo", ressaltou o professor. Ele alertou ainda para a necessidade urgente de se modificar o manejo das lavouras para a redução da população da praga, e torná-lo menos impactante aos recursos hídricos, como o que já ocorre em Nova Venécia, em plantações orgânicas de café.
Caso contrário, Tadeu destacou que os danos, em médio e longo prazos, podem ser irreparáveis, comprometendo a qualidade da água e colocando em risco a saúde humana. "É necessário criar um ambiente amigável entre os agricultores e o meio ambiente, para que se possa indicar com segurança a aplicação de agrotóxicos, de maneira a auxiliar a manutenção da qualidade da água", finalizou.
O tratamento estatístico da pesquisa foi realizado conforme o Guia de Coleta e Preservação de Amostras de Água, CETESB (1987), entre o período de 19 de outubro a 5 de dezembro de 2001. As amostras coletadas foram analisadas no Laboratório de Análises de Resíduos de Pesticidas, credenciado pelo Ministério da Agricultura, em Vila Velha, Espírito Santo. E o projeto apresentado em 2003.
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