O capixaba não está preparado culturalmente para as lojas de conveniência. Os próprios comerciantes admitem que o mercado de trabalho no Espírito Santo é "muito restrito" para tal tipo de empreendimento e que não há como se expandir este ano. Do total já instalado - principalmente junto aos postos de combustíveis -, apenas 5% são viáveis.
"O problema é que o capixaba não entende o fato de cobrarmos tudo um pouco mais caro do que o normal. Ora, o nome já está dizendo. Se é uma loja de conveniência, então atende à conveniência do momento para determinados grupos de consumidores", explicou Rivaldo Lima, que trabalha no setor há cinco anos, mas reclama do resfriamento do consumo.
O fato de estar ligada a um posto de gasolina também não é condição indispensável para o negócio. "Elas apenas 'se chamam' de conveniência, mas, na verdade, acabam arrumando prejuízo para o dono. Nem sempre quem vai abastecer quer comprar alguma coisa. Por isso é que o lucro quase não existe", ressaltou um dos diretores do Sindipostos (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo-ES), Odilson de Sousa Barbosa.
A loja não representa o que se imagina, de acordo com Odilson. Além disso, o proprietário do posto tem que se virar com um dos impostos mais altos do País - cerca de 54% - e, ainda, lidar com o primeiro lugar no ranking da inadimplência. Por semana, um posto chega a receber, no mínimo, dois cheques "fantasmas".
Desde 1998, o mercado de postos tem crescido 40%, mas dentro das cidades. Nas estradas, a mortalidade do setor é visível, sobretudo ao redor de municípios menores, no interior do Estado. Um pequeno posto pode ser iniciado sob o valor de R$ 300 mil, contando-se até com loja de conveniência - mas que pode fechar em menos de dois anos.
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