Vitória (ES), edição de 23 de março de 2004
 
Vereadores criticam prefeitinhos e uso da máquina



José Maria Batista


Criticas contundentes ao fato de prefeitinhos serem candidatos a vereador em Vitória e denúncias de que o PTB e mais quatro partidos vão marchar sozinhos nas próximas eleições devido às traições entre PSDB,PSB e PPS, foram a tônica dos pronunciamentos da sessão desta terça-feira (23), na Câmara de Vitória.

A questão dos prefeitinhos e suas candidaturas já havia esquentado na semana passada com um requerimento do vereador Aloísio Varejão (PP) criticando a liberação de verbas, os benefícios concedidos pelo prefeito Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) e o uso da máquina administrativa municipal para as pré-campanhas eleitorais.

A fogueira ganhou mais lenha depois que o vereador Orvaldo Mello (PTB) apresentou um documento no qual sofria recriminações do prefeito por ter feito críticas à atuação da prefeitinha Lília Mello, da Regional do Centro.

A prefeitinha, que deu uma festa política na Vila Rubim para comemorar seu aniversário, é candidata a vereadora e a que mais tem recebido críticas pelo uso da máquina administrativa em favor de sua eleição. Conseguiu desagradar a pelo menos dez dos 21 vereadores.

Para o vereador Ademar Rocha (PTB), presidente da Câmara, o que está acontecendo entre os vereadores e o grupo de prefeitinhos é um exemplo do que vem pela frente durante a campanha eleitoral. Os bastidores também estão mostrando que deverá predominar um clima de traições ao longo dos próximos meses.

E sobre isso lembrou os fatos que começaram a acontecer partir da semana passada, quando o PPS procurou o PSB para fazer um acordo visando a candidatura do deputado federal Renato Casagrande. E que acabou não acontecendo. Segundo Ademar Rocha, o PPS traiu o PSB que traiu o PSDB, traiu o governador, o vice-governador e o prefeito.

Isso a partir do momento que acertou a candidatura própria do vice-governador, Lelo Coimbra, que por essa razão não foi para o PMDB e depois propôs ter o PPS como vice, mas foi oferecer o mesmo cargo ao PSDB e agora quer ter candidato próprio.

Para Ademar Rocha, o seu partido, o PTB, e os outro quatro partidos aliados, não irão se prestar a esse tipo de negociação e que preferem marchar sem nada do que pelos caminhos da traição.