O inquérito do caso do juiz Alexandre Martins de Castro Filho "é um livro impossível de se acabar enquanto não se esclarecer profundamente, e em todos os níveis, a morte dele". A opinião é do subprocurador da república e chefe do Gabinete de Gestão Integrada (GGI-ES), José Roberto Santoro. E a expectativa de que passos da investigação em torno dos eventuais mandantes, bem como indícios e nomes fossem revelados pelo secretário de Segurança, Rodney Rocha Miranda, foi frustrada.
O secretário se desculpou perante a sociedade pela demora nas investigações mas não revelou nada de novo. E nem divulgou até o início desta tarde a nota oficial que havia sido anunciada na semana passada.
A avaliação do sub procurador Santoro foi feita durante a sua palestra proferida na manhã desta quarta-feira (24), no auditório da Faculdade de Direito de Vitória (FDV), que promoveu um seminário para discutir o caso do assassinato do juiz - em resposta a um ano da morte -, e outros aspectos ligados ao Direito e à Justiça no Estado.
Alexandre Martins foi liquidado com três tiros, no dia 24 de março do ano passado, uma segunda-feira, quando chegava em sua academia de ginástica na praia de Itapoã, em Vila Velha.
O seminário foi aberto pelo advogado Alexandre Martins de Castro, pai do juiz. Ele agradeceu o carinho da população capixaba e disse respeitar o secretário estadual de Segurança Pública, Rodney Rocha Miranda, pela vontade que tem em resolver o homicídio.
Em seguida, falou o vice-presidente da Associação dos Magistrados do Brasil (AMB), Jorge Massad. Ele garantiu que tão logo retorne a Brasília, vai pedir que o presidente da AMB envie um ofício ao procurador-geral da República, solicitando a designação de um promotor específico para acompanhar as investigações da morte do juiz.
O procurador Santoro, o terceiro a falar durante o debate, reconheceu que todos os envolvidos na operação limpeza do crime organizado no Espírito Santo a consideram um trabalho inacabado "por não termos conseguido concluir de forma terminal o inquérito que apura a morte do meu amigo Alexandre Martins".
Depois de se referir a um livro inacabado para dar uma posição sobre o caso do assassinato, o subprocurador Roberto Santoro reavaliou a situação, afirmando que nos últimos dois meses as investigações estão retomando fôlego. "As instituições que agiram com pouco respeito às formalidades estão começando, de novo, a colaborar de forma mais intensa com as investigações", disse ele.
No entender de Santoro, "o assassinato do juiz Alexandre Martins de Castro Filho é um caso estadual, mas o Ministério Público Federal (MPF) dispõe, em alguns casos, de mais tecnologia. Por isso, voltou a entrar no caso, e não é de forma tardia".
E deixou um recado: "só vamos fechar a história da criminalidade organizada no Espírito Santo quando for esclarecida a morte de Alexandre. Até lá não há sucesso. Todos nos sentimos frustrados. Alexandre foi peça fundamental como um operador do direito respeitoso e corajoso".
O secretário estadual de Segurança Pública, Rodney Rocha Miranda, cuja fala era a mais esperada, começou pedindo desculpas à população e dizendo que assumia a demora nas investigações, porque a coordenação do caso cabia diretamente a ele. "Não há justificativa para que essas pessoas ainda não tenham sido apresentadas à Justiça. São as pessoas que deram a ordem para que a execução acontecesse", disse ele.
Rodney explicou também a troca de delegados - foram quatro no total - pois queria as investigações mais próximas a ele. O primeiro delegado a trabalhar o caso foi Gilson Rocha, que acabou sendo transferido para o interior. Em seguida, assumiu o delegado Cláudio Victor, que permaneceu pouco tempo à frente das investigações. O sigilo de justiça que envolve o caso impediu que a imprensa tomasse conhecimento do andamento das apurações.
Foi nessa ocasião que o secretário decidiu entregar o inquérito para um grupo de quatro delegados especializados em homicídios para cuidar do caso, ficando à frente de tudo o delegado André Luiz Cunha Pereira, que no final do no passado, alegando razões pessoais, decidiu abandonar as investigações em torno da morte do juiz.
O processo agora encontra-se em poder da delegada Fabiana Maioral. É a mesmo delegada que atuou com sucesso no caso das investigações em torno do escândalo envolvendo Raymundo Benedito de Souza, o Bené, tesoureiro de campanha do ex-governador José Ignácio Ferreira, e o desvio de R$ 5 milhões do ICMS destinado a projetos ambientais através da Fundação Augusto Ruschi. E que teria ido parar nas contas bancárias de diversos candidatos amigos do ex-governador na eleições de 2000, repassados por Bené.
De todo modo, o seminário serviu para mostrar as falhas nas investigações policiais e que as ações em torno do combate ao crime organizado no Estado estão longe de terminar. Bem como as investigações em torno da morte do juiz Alexandre Martins de Castro. Todos os participantes do debate estão convencidos de que o assassinato do juiz foi tramado e encomendado. Só falta agora reunir as provas e dar nomes aos mandantes.
Por enquanto, figuram como executores e intermediários sete pessoas que estão presas. Os sargentos da PM Ranilson Alves da Silva e Fernando Oliveira Reis, presos com um oficial de alta patente cujo nome foi transformado em alto segredo militar, e o traficante Fernando Oliveira Reis, o Fernando Cabeção.
Os restantes são André Luiz Barbosa Tavares, o Yoxito, que emprestou a moto para os executores, Leandro Celestino dos Santos, o Pardal, dono da 6.35 usada no crime; Giliarde Ferreira de Souza, que usava a automática e fez os primeiros disparos, e Odessi Martins da silva Junior, o Lumbrigão, autor dos disparos fatais e que ainda teria levado a pistola .40 do juiz.
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