Vitória (ES), edição de 24 de março de 2004
 
Impasse Unimed: MP só interfere
se população for prejudicada



Priscilla Coelho



O Ministério Público e o Procon só irão intervir no impasse entre a Unimed Vitória e dez hospitais particulares se houver um prejuízo direto à população. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (24) pelo promotor de Justiça da Defesa do Consumidor, Fábio Vello.

"Resolvemos aguardar que as partes envolvidas entrem num acordo e só vamos interferir se a população for prejudicada de alguma forma, mesmo porque, este é o papel do Ministério Público. Todos já foram comunicados e esperamos que a situação seja resolvida o mais rápido possível", explicou o promotor.

No último dia 17, dirigentes de hospitais da Grande Vitória representados pelo Sindicato dos Estabelecimentos de Saúde do Espírito Santos (Sindhes), recorreram a esses órgãos entregando um dossiê de 310 páginas, que contém dados comprovando o desequilíbrio de contrato entre as partes.

De acordo com o consultor econômico do sindicato, Benoni Antônio Santos, as tabelas utilizadas pela Unimed Vitória para pagamento de materiais, medicamentos, pacotes e gasoterapia, está defasada. Por isto a entidade tenta negociar com a empresa, sem sucesso, desde junho de 2003.

A defasagem das tabelas, que já chega a 30%, ocasionou um prejuízo de cerca de R$ 1 milhão por mês aos hospitais. Em virtude desta situação, dez hospitais ameaçam suspender o atendimento aos 200 mil usuários da Unimed que são atendidos por eles, caso o impasse não se resolva.

Ao que tudo indica, vai ser mesmo preciso que isto aconteça para que o MP e o Procon tomem alguma providência sobre o caso, mesmo porque, como o próprio Sindhes disse, há oito meses a Unimed nem atende a entidade para dar início a uma negociação.