"Ninguém duvida da capacidade de luta da classe trabalhadora". Palavras do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos seus grandes tempos de sindicalista no ABC Paulista. As greves sempre mostraram para os trabalhadores os rumos a serem tomados e garantias já existentes.
Mas, com o tempo, a organização da classe patronal junto aos órgãos públicos, no setor de serviços, tornou necessário que os dirigentes sindicais orientem melhor os trabalhadores. As greves-relâmpago garantiram as conquistas dos trabalhadores e até algumas demissões nas empresas. O ABC paulista é um bom exemplo, porque se preparam para entrar, fazer e sair da greve com total domínio do sindicato.
Nós aqui no Estado temos esta semana uma segunda greve no setor de serviços. Vejam bem, os bancários saíram da greve há pouco mais de cinco dias para garantir o julgamento do dissídio no Tribunal Regional do Trabalho (TRT). Pelas informações que temos, a proposta que foi acatada já havia sido feita pelos empresários. Como se não bastasse, vemos o prejuízo que foi dado à sociedade, que é o grande prejudicado com todo o processo.
Até hoje, clientes tentam solucionar problemas gerados por conta da paralisação dos serviços bancários. A greve só serviu para divulgar o trabalho da Justiça, garantindo o poder normativo do TRT.
E agora acontece uma segunda greve-relâmpago, que é a dos rodoviários. Sua paralisação trouxe grandes transtornos para a sociedade, que teve sua rotina alterada, tendo que optar por outros meios de transporte clandestinos ou ficando nos pontos durante horas para voltar para casa, ou chegar aos seus destinos.
Para quê? Para garantir julgamento no TRT, que provavelmente acontecerá com as mesmas propostas dos patrões. Os rodoviários são especialistas na arte de fazer greve, o empresariado tem responsabilidade nisso, pois estimulou no passado o surgimento dos sindicalistas, que faziam greve para aumentar a tarifa. Quem pagava essa crise eram os usuários, o terceiro interessado no processo de greve.
É necessário que se analise as grandes greves geradas no setor produtivo de São Bernardo, por exemplo, que trouxe ao cenário político nacional personalidades como o presidente e vários ministros, que saíram do movimento sindical.
Quem acompanha as últimas greves vê que somente o poder normativo do Judiciário consegue se sobressair nesse processo. Os sindicalistas devem chamar os trabalhadores para discutir mais profundamente o processo da greve-relâmpago, porque a greve nos setores de serviço não é um processo polarizado entre trabalhador e empresário. Ela envolve também os órgãos públicos e a sociedade, que é a que paga por todo o processo. Lucros e prejuízos.
Transparência já!
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