O grande blefe





Rogério Medeiros



O terceiro turno já está aí, com o governador Paulo Hartung dentro dele por inteiro. Só os adversários não percebem. Com a astúcia que lhe é peculiar, o governador redesenha o mapa eleitoral de 2006 sem qualquer sobressalto, diante da inércia dos partidos vencedores das eleições (PT, PSB, PDT, PP e PL).

Se enquanto para o governador o terceiro turno já começou, os partidos oposicionistas ainda permanecem no segundo turno das eleições municipais, sem capacidade sequer para discutir o propalado e surpreendente desejo do prefeito Sérgio Vidigal, presidente do PDT, de querer apoiar a reeleição do governador Paulo Hartung.

O que de certa forma demonstra turbulência entre os partidos vitoriosos nas eleições municipais, já que a intenção de Vidigal, em apoiar a reeleição do governador, não combina com os interesses dos demais partidos em ter um candidato próprio ao governo do Estado. O PL já se adiantou e prometeu colocar um nome para disputar a indicação, dispondo-se, inclusive, a oferecer o nome do senador Magno Malta.

Dentro desse contexto de terceiro turno, chama atenção a aparição do governador Paulo Hartung após o segundo turno das eleições. Ele aparece na mídia, mais uma vez, como o paladino da moral e dos bons costumes, independente de quem apoiou para prefeito, e se dizendo ainda credenciando para escolher o novo presidente da Assembléia. Assim como se ainda estivesse no inicio do seu governo, produzindo medo nos meios políticos, principalmente entre os deputados.

Depois dessas eleições municipais, o governador está mesmo é com uma trinquinha de sete, e não mais com o four de ases do inicio. No duro, no duro, ele está blefando com essa trinquinha de sete, e a oposição tem que pagar para ver, principalmente nessa eleição da presidência da Assembléia. Afinal de contas, a frente de partidos que ela forma venceu as eleições e tem que tomar conta dos seus deputados neste episódio da presidência da Assembléia.

O cacife da frente nas eleições da Assembléia, o PDT, tem dois deputados (José Esmeraldo e Suely Vidigal); o PL também dois (Cláudio Thiago e Robson Vailant); o PSB também dois (Paulo Foletto e Janete de Sá), o PT tem três (Cláudio Vereza, Brice Bragato e Carlos Casteglione), o PP tem dois (Heraldo Musso e Luzia Toledo). Só aí são 11 deputados para os partidos darem comando e buscar alianças com as demais forças para fazer um presidente de sua conveniência política. A oposição tem mesmo é que aprender a jogar o jogo jogado com o governador Paulo Haretung, senão vai jogar o jogo fora.

Fragmentos
1 - O novo prefeito de Vitória, João Carlos Coser, meteu a colher meio de banda nas eleições da nova Mesa Diretora da Câmara de Vitória, vetando nomes para a sua presidência, em lugar de construir uma maioria e fazer o sucessor de Ademar Rocha na presidência.

2 - Atitude temerária. O Ademar praticamente comanda um bloco de vereadores capaz de fazer o seu sucessor. Um bloco que já passou pela experiência de enfrentar o prefeito Luiz Paulo Vellozo Lucas e saiu-se vencedor. Um bloco que tornou a Câmara independente diante da prefeitura e melhorou o seu desempenho eleitoral.

3 - Onze vereadores se reelegeram numa Câmara de apenas 15 vagas. Um dado importante e que demonstra que eles vão querer manter a independência em vez de voltar a individualizar a relação com o prefeito. O novo prefeito vai pisar, literalmente, em terreno movediço. É preciso saber derrapar para sair ileso da situação.