Vitória (ES), edição de 03 de novembro de 2004
 
Obra contamina lagoa na Ponta
da Fruta e órgãos são omissos



Flávia Bernardes


Um esgoto escolar transbordando a céu aberto e uma obra de captação de água pluvial, ambas desembocando na Lagoa Grande, está gerando degradação e preocupação aos moradores de Ponta da Fruta, em Vila Velha. A lagoa, até então livre de poluição, recebe hoje o esgoto in natura da Escola Municipal Nair Dias Barbosa, com omissão dos órgãos ambientais.

Denúncia neste sentido já foi feita ao Ministério Público Estadual (MPE) e ao Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema), mas nenhuma providência foi tomada, como informou o presidente da ONG local Amalagoa, Paulo Alves.

A lagoa, classificada pelo Iema como livre de coliformes fecais, com índice próximo a zero, é considerada uma "guerreira" pelos moradores do distrito Segundo eles, há peixes morrendo e a água apresenta características evidentes de poluição.

Nem a obra pluvial que está sendo feita desde as eleições foi capaz de acalmar a população. Estas obras canalizam as águas pluviais para a lagoa, mas os moradores da região afirmam que também são lançados resíduos usados para lavar calçada, carros e piscinas, dentre outros.

A lagoa fica abaixo do nível do mar. Há a preocupação ainda de que o esgoto do posto de saúde seja despejado no manancial. A construção de tubulações para a captação de águas pluviais na avenida Espírito Santo, próximo à unidade de saúde, também foram denunciados ao Iema. Segundo Paulo, o órgão deverá medir a balneabilidade da água da lagoa na primeira quinzena deste mês.

"Outra agravante é que nesta área o lençol freático é muito alto. Se cavarmos um metro, encontramos água que pode estar sendo contaminada pelo esgoto da Escola Municipal, que vai para a lagoa", enfatizou.

A Amalagoa diz ainda que uma parte da lagoa sofreu uma terraplanagem para que uma casa fosse construída. Assustados, os moradores chamaram a prefeitura municipal de Vila Velha (PMVV), que declarou a obra como legal.

A Lagoa Grande, antes uma área de preservação e recreação para moradores e visitantes da Ponta da Fruta, está recebendo esgoto in natura em seus 13 km de extensão. Não pode mais ser utilizada para refrescar os banhistas e nem para a pesca, está morrendo por esperar que os órgãos ambientais a protejam.

Além de um posicionamento da prefeitura e Iema quanto as ações que estão sendo feitas para conter o problema, a ONG exige ainda que seja feito monitoramentos periódicos das obras de canalização do distrito e fiscalização periódica do local.

A PMVV foi procurada para comentar o assunto, mas até o fechamento desta edição não retornou às ligações. Já o Iema reconheceu que será feito o teste da balneabilidade na lagoa, mas alegou desconhecer as demais informações.